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Moagem no Centro-Sul atinge 99,63 milhões de toneladas

13 de junho de 2011

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil somou 42,72 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, alta de 5,47% comparativamente ao mesmo período da safra 2010/2011. No acumulado desde o início da safra até 01 de junho, a moagem totalizou 99,63 milhões de toneladas.

Os dados apurados mostram um expressivo aumento da produção quinzenal de etanol anidro. Nas safras 2009/2010 e 2010/2011, o volume produzido nos últimos 15 dias de maio totalizou 334,07 milhões de litros e 490,41 milhões de litros, respectivamente. Na safra atual, no mesmo período, este volume produzido chegou a 629,64 milhões de litros, alta de 28,39% em relação ao último ano.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, observa que “as usinas possuem capacidade instalada e estão comprometidas para produzir o volume de etanol anidro necessário ao abastecimento do mercado doméstico nos níveis atuais de mistura”. No acumulado desde o início desta safra, a produção de anidro representou quase 40% de todo o etanol produzido pelas usinas, acrescentou.

O diretor afirma que qualquer alteração no nível de mistura nesse momento traria impactos ao mercado, podendo inclusive incentivar um maior consumo de etanol hidratado durante a safra. Esse cenário reduziria a oferta do produto na entressafra, aumentando a sazonalidade dos preços, explica.

A produção de etanol hidratado também segue em expansão, somando 1,09 bilhão de litros na segunda quinzena de maio, ante 753,68 milhões de litros registrados nos primeiros 15 dias do mês. Em relação à fabricação de açúcar, foram 2,38 milhões de toneladas no período relativo à segunda quinzena de maio.

No acumulado desde o início desta safra, a fabricação de açúcar totalizou 4,74 milhões de toneladas. Já a produção de etanol somou 3,88 bilhões de litros, sendo 2,41 bilhões de litros de etanol hidratado e 1,47 bilhão de litros de etanol anidro.

Para o executivo da UNICA, esse avanço acelerado na colheita foi possível graças ao clima extremamente seco observado na última quinzena. Rodrigues alerta, porém, que essa condição climática castigou ainda mais o desenvolvimento da lavoura que será colhida nos próximos meses.

Segundo dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a queda na produtividade agrícola da área colhida até o final de maio já atingiu 20,70% quando comparada com o mesmo período da safra passada. Essa menor produtividade é explicada pela colheita de áreas mais velhas, pela ausência de volume significativo de cana bisada (cana que não pode ser colhida e ficou no campo por mais de uma safra) e pelo menor desenvolvimento vegetativo da planta em função das condições climáticas observadas até o momento.

Devido a essa redução na produtividade agrícola, a UNICA, juntamente com os demais Sindicatos e Associações do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira, está realizando um novo levantamento da cana disponível para moagem junto às unidades produtoras. Após a conclusão deste trabalho, no início do próximo mês, a entidade irá se posicionar em relação à revisão da projeção de produção para a safra 2011/2012.

Qualidade da matéria-prima e Mix de Produção

Na última quinzena de maio, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar atingiu 127,09 kg, forte recuperação comparativamente aos 114,19 kg verificados nos primeiros 15 dias daquele mês. No acumulado desde o início da safra até 01 de junho, a concentração de açúcares por tonelada de matéria-prima atingiu 116,31 kg, 4,50 kg inferior à registrada em igual período de 2010.

Do volume total de cana-de-açúcar processada nos últimos 15 dias de maio, 54,02% destinou-se à produção de etanol. No acumulado desde o início da safra, o mix de produção permanece mais alcooleiro relativamente ao último ano. Neste período, 57,12% da matéria-prima disponível direcionou-se à fabricação de etanol, percentual superior aos 56,95% verificados em 2010.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 1,81 bilhão de litros em maio, dos quais 694,19 milhões de litros de etanol anidro e 1,12 bilhão de litros de etanol hidratado. Do volume total, 93,90% (1,70 bilhão de litros) destinaram-se ao mercado interno, e apenas 6,10% foi direcionado ao mercado externo.

Segundo o diretor da UNICA, “o etanol exportado na segunda quinzena de maio foi essencialmente para fins não carburantes e visou o cumprimento de contratos de exportação previamente estabelecidos, que devem totalizar cerca de 1,3 bilhão de litros contratados nesta safra”. Esses contratos precisam ser cumpridos, o volume contratado é menor que aquele direcionado pelas unidades produtoras ao mercado externo na safra 2010/2011 (1,77 bilhão de litros), acrescentou.

Cabe destacar que, em maio, as unidades produtoras do Centro-Sul importaram 75,79 milhões de litros de etanol anidro. Esse volume, somados aos 113,70 milhões de litros adquiridos externamente em abril, perfazem uma importação total de 189,49 milhões de litros, que foi exclusivamente direcionada ao atendimento do mercado doméstico de etanol carburante.

No mercado interno, as vendas de etanol anidro alcançaram 654,16 milhões de litros em maio, aumento de 19,23% relativamente ao mesmo mês de 2010. Na segunda quinzena de maio, o volume comercializado do produto totalizou 325,91 milhões de litros, ante 294,69 milhões de litros em igual período do ano passado – alta de 10,59%.

As vendas domésticas de etanol hidratado somaram 1,05 bilhão de litros em maio, sendo 630,26 milhões de litros comercializados na última quinzena do mês. Esse volume mensal é 24,71% inferior relativamente aos 1,39 bilhão de litros vendidos em maio de 2010.

Para acessar os dados da safra, clique aqui.

SOBRE OS DADOS DA SAFRA

Os dados divulgados nesta atualização de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos e associações de produtores da Região Centro-Sul:

ALCOPAR – Associação dos Produtores de Bioenergia no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
SIAMIG – Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo