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Nova tecnologia aproxima Novozymes de produção comercial de etanol

3 de abril de 2012

undefinedUma nova enzima desenvolvida pela empresa de biotecnologia dinamarquesa Novozymes promete reduzir custos e aumentar os rendimentos na produção de etanol a partir de resíduos agrícolas, como a biomassa da cana-de-açúcar. Para o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, a novidade lançada no início de março de 2012 é um passo decisivo na direção da produção em escala comercial de biocombustíveis avançados a partir de biomassa, os chamados biocombustíveis de 2ª geração.

Segundo Szwarc, a rota enzimática é o caminho para tornar o etanol de segunda geração mais competitivo no mercado. “Trata-se de um avanço tecnológico muito importante para a viabilização comercial deste biocombustível, particularmente no Brasil em função da grande disponibilidade de matéria-prima, o bagaço de cana,” avalia o consultor da UNICA.

Na opinião do presidente da Novozymes, Steen Riisgaard, o aprimoramento das enzimas representa “um passo adiante na transição de uma economia baseada no petróleo para uma economia de baixo carbono.”

Parceiros

Em 2012 e 2013, dois parceiros da Novozymes utilizarão as novas enzimas, chamadas tecnicamente de Cellic CTec3, em suas operações de produção de etanol celulósico. Os usuários são o grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), fabricante de embalagens PET, e a Fiberight, empresa americana especializada na conversão de lixo urbano em combustível renovável.

A M&G planeja abrir uma fábrica na cidade de Crescentino, no norte da Itália, para a produção de 12 milhões de galões de etanol (45,4 milhões de litros) ao ano a partir da palha de trigo e de outras matérias-primas locais. Já a Fiberight pretende inaugurar duas fábricas nos Estados Unidos nos próximos dois anos: uma de pequeno porte em Lawrenceville, na Virgínia, outra com capacidade para seis milhões de galões ao ano (22,7 milhões de litros) em Blairstown, no estado de Iowa.

No Brasil, uma pequena unidade de demonstração para produção de biocombustível avançado já está em funcionamento na cidade de Piracicaba (SP). A planta, cuja capacidade de fabricação diária chega a mil litros de combustível celulósico a partir da biomassa de cana, é resultado do acordo firmado entre a Novozymes e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) em 2007. No futuro, a intenção é integrar esta pequena unidade a uma usina tradicional no País, o que deverá ocorrer até o final deste ano.

No final de 2011, a Petrobrás também entrou na corrida pelos combustíveis avançados selando um acordo com a Novozymes, para melhorar a eficiência no processo de fabricação do etanol de segunda geração.

Cellic CTec3

De acordo com a  Novozymes, a nova enzima permite uma relação mais eficiente de custo-benefício na conversão de biomassa em etanol e apresenta um desempenho 50% melhor em relação ao produto anterior da empresa, a Cellic CTec2.

A empresa afirma que a Cellic CTec3 poderá ser cinco vezes mais eficiente do que produtos similares no mercado. O equivalente a 50 quilos (kg) de Cellic CTec3 produziria uma tonelada de etanol  de segunda geração a partir da biomassa, quantidade bem inferior ao que seria necessário com o uso de produtos concorrentes, segundo a Novozymes.

“Com esse nível de conversão, não só temos um produto que tem rendimento maior do que os da concorrência, como também  atingimos uma redução significativa no custo total do investimento,” ressalta Lígia Fagundes, gerente de Marketing de Biocombustíveis da Novozymes.