fbpx

Novo diretor-geral da OMC traz novo alento ao agronegócio BR

14 de maio de 2013

A chegada do embaixador brasileiro Roberto Carvalho de Azevêdo à direção geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) traz novas esperanças para a retomada das negociações da Rodada de Doha, o que beneficiaria os países mais competitivos no setor agrícola já que este continua sendo um dos setores mais protegidos do mundo. A opinião é do diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa.

“Para o setor sucroenergético haveriam ganhos expressivos, tanto no açúcar como no etanol, que ainda encontram significativas barreiras tarifárias e não-tarifárias e programas de subsídios domésticos, principalmente nos países desenvolvidos, que distorcem esse comércio e prejudicam os países com maiores vantagens competitivas na sua produção. Não apenas o Brasil, mas mais de 100 países produtores de açúcar, em sua maioria países em desenvolvimento situados nas regiões dos Trópicos, poderiam ser beneficiados com o avanço da Rodada,” explica Sousa.

Ele espera que a vasta experiência de Azevêdo, primeiro latino-americano a comandar a OMC, em temas de comércio e acordos multilaterais, bem como a sua capacidade de negociação e liderança, permitam avançar nessa agenda nos próximos quatro anos. O embaixador participou de um processo que envolveu nove candidatos para ocupar uma posição de extrema importância dentro desse órgão internacional, sucedendo o atual diretor-geral, Pascal Lamy, que encerra seu mandato em 31 de agosto de 2013.

Os 159 países que integram a OMC votaram no nome de sua preferência. Com o apoio dos países que integram o chamado BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), dos países de língua portuguesa e de diversas nações da América Latina, da Ásia e da África, o brasileiro foi eleito após uma disputa acirrada com o diplomata mexicano Herminio Blanco, de 62 anos.

Ao se pronunciar em janeiro sobre sua candidatura, Azevêdo destacou a necessidade de retomar os esforços para reanimar a Rodada Doha, e que isso deveria acontecer imediatamente depois de Bali.

“Todos sabemos que a OMC é maior que a Rodada Doha, mas a realidade é que o sistema continuará obstruído até que encontremos uma forma de destravar a Rodada. Penso que, para variar, deveríamos parar de evitar os temas mais difíceis e intratáveis. Acima de tudo, não podemos jogar fora a agenda do desenvolvimento que foi tão penosamente negociada para assegurar que os membros mais pobres e vulneráveis desta organização fossem beneficiados. Não podemos simplesmente virar a página e esquecer esses membros,” disse o novo diretor-geral da OMC.

Roberto Carvalho de Azevêdo foi chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores (de 2005 a 2006) e liderou a delegação brasileira nas negociações da Rodada Doha da OMC.