6 de novembro de 2019

Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) sobre sustentabilidade

No mundo competitivo de hoje, estar um passo à frente é determinante, especialmente quando o assunto é sustentabilidade. Migramos da era da regulação para a do compromisso. As exigências de proteção ambiental deixaram de ser apresentadas como imposição de limites para se transformarem em práticas em que o produtor/empreendedor é o primeiro interessado em assumir níveis cada vez mais exigentes. Isso por dois motivos: vemos cada vez mais valor nisso e o consumidor vê mais ainda.

O setor sucroenergético tem se antecipado nesse ponto, já faz algum tempo que temos estado um passo à frente. Antecipamos, voluntariamente, em vários anos, o fim das queimadas da palha da cana-de-açúcar para a sua colheita, a introdução da mecanização, que encheu os canaviais de tecnologia, e, se não bastasse, o maior processo de requalificação profissional que o Brasil já conheceu: o antigo cortador de cana hoje é piloto de máquinas que, em nossa infância, eram o sonho dos astronautas.

Redobramos essa aposta com o Renovabio – a nova Política de Biocombustíveis aprovada em 2017 e que, depois do período de regulamentação, entra em atividade em 2020 – num amplo consenso entre setor produtivo e governo, decidimos que seria política de desmatamento zero “na veia”, como diriam os mais jovens. Para ingresso no programa, a grande aposta do setor, nem mesmo o desmatamento permitido em lei será aceito. Desmatou, está fora do Renovabio, pois o etanol, e todos os nossos produtos, devem ser sustentáveis do início ao fim.

Esse foi o espírito da revogação do chamado Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar. Esse instrumento que teve seu papel no passado, ficou justamente lá, um passo atrás, servindo apenas como mais um dos tantos arcabouços burocráticos brasileiros diante da modernidade do Código Florestal e do comprometimento absoluto do setor em avançar ainda mais naquilo que fazemos de melhor: contribuir, mesmo quando o sol se põe, para que o Brasil seja o líder global da mobilidade sustentável.

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