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Papel do setor público sobre energias renováveis é destaque em evento na Índia

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14 de outubro de 2008


A definição de regras claras, capazes de nortear os investimentos do setor privado, deve ser o principal papel a ser exercido pelo poder público para estimular a produção e o uso de energias renováveis. Esta foi uma das teses dominantes nas discussões sobre geração e consumo de energia, durante a III Reunião de Cúpula do Fórum Índia – Brasil – África do Sul (IBAS), em Nova Delhi. Nesta terça-feira (14/10/2009), o evento contou com a participação de representantes dos governos e da iniciativa privada dos três países.


Os temas predominantes foram a geração de eletricidade e os biocombustíveis. “Em ambos os casos, há significativas vantagens comparativas e competitivas tanto no Brasil, como na Índia e na África do Sul em relação a outros países, principalmente na produção de energias renováveis”, constatou o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, que participa da missão brasileira.


“O papel do setor público é fundamental na definição de um marco regulatório que garanta regras claras para os investimentos do setor privado em energias renováveis”, disse Sousa, avaliando que há espaço para cooperação técnica e comercial entre os três países nessa área.


No caso do etanol de cana-de-açúcar, o potencial de produção da Índia é bastante grande, já que o país é o segundo maior produtor de cana do mundo. “Ficou claro, porém, que os incentivos à produção de açúcar em detrimento do etanol têm desestimulado a ampliação da produção do biocombustível no país”, afirmou Sousa, explicando que o etanol indiano tem sido produzido de melaço de açúcar, menos eficiente para esta finalidade do que o caldo de cana.


Como o país importa 70% do petróleo de que necessita, o governo instituiu a mistura obrigatória de 5% de etanol na gasolina, como tentativa de reduzir essa dependência. Além disso, Índia e Brasil já vêm cooperando na transferência tecnológica para a produção de etanol e, de acordo com o executivo da UNICA, “há espaço para ampliação dessas parcerias industriais”.


A co-geração de energia também foi identificada como oportunidade de intercâmbio entre os três países. “A África do Sul tem apresentado déficits recorrentes na geração de energia, o que poderia ser complementado com a produção de bioeletricidade, principalmente a obtida do bagaço e palha da cana-de-açúcar”, propôs Sousa.