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Parlamentares estrangeiros conferem in loco a sustentabilidade do etanol de cana

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24 de novembro de 2008


“O etanol é a energia do futuro em termos de combustíveis.” Assim reagiu o economista e deputado de Angola, Matheus Junior, durante visita de mais de 20 parlamentares e autoridades de três continentes à Usina Cresciumal, em Leme (SP) nesta quinta-feira (20/11/2008). O grupo aproveitou a presença no Brasil para participar da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, promovida em São Paulo pelo governo, para conferir em primeira mão todos os setores da usina pertencente ao Grupo Louis Dreyfus, da colheita à área industrial e a produção de bioeletricidade.







Visita à fábrica de etanol da Cresciumal: “É gigante”
“A discussão sobre biocombustíveis é uma questão global, da qual nenhum país pode se isolar, porque este é o caminho daqui para a frente. O petróleo não é sustentável”, comentou Matheus Junior, refletindo a opinião dominante entre os visitantes que, além de Angola, representavam países como Austrália, Bélgica, Gana, Reino Unido, Suécia e Suíça. Refletindo uma posição frequentemente defendida pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) – a de que os biocombustíveis são uma oportunidade de inclusão das economias em desenvolvimento no cenário mundial – o angolano completou:

“Há grande possibilidade de se instalar usinas de cana-de-açúcar, porque temos 124 milhões de hectares aráveis, e só utilizamos 3,2 milhões até agora”. O país já teve duas usinas de cana que foram dizimadas na guerra civil. Com isso, a dependência de petróleo na área energética é de 100%, o que torna a busca por alternativas um esforço obrigatório.



Durante a visita à fábrica de transformação de cana-de-açúcar, cujas dimensões impressionaram os visitantes, os deputados emitiram opiniões que apontavam para um consenso de que a dependência do petróleo não pode mais ser dominante: é preciso achar alternativas. Ao final da visita, vários elogiaram a sustentabilidade do setor. Na lavoura de cana, diversos parlamentares ficaram surpresos com o fato de a renovação das áreas ser feita por meio do cultivo de grãos, o que mostrou uma característica específica do etanol brasileiro, que é a de não competir com a produção de alimentos.


“Frisamos para os visitantes que com apenas 1% das terras aráveis do Brasil, já conseguimos substituir 50% da demanda por gasolina no Brasil”, afirmou o diretor de comunicação corporativa da ÚNICA, Adhemar Altieri, que acompanhou o grupo durante a visita junto com o representante da entidade em Ribeirão Preto (SP), Sérgio Prado, e o gerente industrial da usina, Mauricio Figueiredo de Oliveira. Altieri também apresentou aos visitantes os esforços que têm sido feitos pelo setor para substituir a colheita manual pela mecanizada dentro de prazos adequados e reduzindo impactos negativos. “Hoje são 180 mil cortadores de cana no Estado de São Paulo. Isso exige que a introdução da mecanização seja gradativa, acompanhada por esforços dentro e fora do setor para que as pessoas afetadas sejam equipadas para que possam continuar trabalhando,” completou.


Além dos parlamentares, o grupo contou com a presença de importantes autoridades governamentais ligadas à questão dos biocombustíveis, como o presidente da Agência de Combustíveis Renováveis britânica, Nick Goodall, o diretor da Agência Federal de Etanol da Suiça, Alexandre Schmidt, e a economista especializada em recursos naturais da FAO, a Organização para Alimentos e Agricultura da ONU, a alemã Astrid Agostini. Ao conhecer a colheita, ela ficou impressionada com o contraste entre o trabalho manual e os avanços da mecanização, que favorecem a produção de bioeletricidade pelas usinas.


Ao término da visita, o deputado inglês e presidente do Comitê de Auditoria Ambiental do parlamento britânico, Tim Yeo, declarou sua boa impressão quanto ao setor sucroenergético brasileiro e o modo como se surpreendeu com o tamanho de uma usina como a Cresciumal. A unidade do Grupo Louis Dreyfus foi projetada para processar 2 milhões de toneladas de cana por ano, produzindo 130 mil toneladas de açúcar e 70 milhões de litros de etanol. Além disso, a fábrica utiliza 7 MWh de eletricidade por dia, que são gerados em suas turbinas de biomassa, e ainda exporta diariamente outros 16 MWh para o sistema elétrico público.