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Pesquisadores japoneses querem comprovar sustentabilidade do etanol

14 de maio de 2010

(esq. p/ dir.) Eduardo Leão, Bernardo Rudorff , Hiromi Yamamoto e Katsura FukudaA análise da sustentabilidade do etanol de cana-de-açúcar motivou a vinda de dois pesquisadores do Japão ao Brasil contratados pelo Ministério do Meio Ambiente daquele país. Os dois abriram a semana de 10 a 14 de maio com uma visita à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) em São Paulo, e dedicaram o resto do tempo no Brasil à definição de recomendações quanto aos critérios que o Japão adotará para o aumento da mistura do etanol na gasolina.

“Há uma discussão internacional sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis. Viemos ao Brasil conhecer esta realidade para que possamos ter certeza que o uso do etanol de cana é sustentável,” disse Katsura Fukuda, pesquisador da divisão de meio ambiente e energia do Instituto de Pesquisa Mitsubishi, durante visita à UNICA.

Recentemente o governo do Japão anunciou uma nova meta de redução, até 2020, de 25% do total de emissões de gases causadores do efeito estufa, em relação aos níveis de emissão de trinta anos atrás. Segundo os pesquisadores, ainda não foi decidido quanto do biocombustível será utilizado para ajudar a atingir esta meta, embora admitam que o etanol pode ter um papel importante neste processo. Desde 2003, a legislação japonesa permite uma mistura facultativa de até 3% de etanol na gasolina, e há discussões no país sobre o aumento desta mistura para até 10%.

Expansão sustentável

Durante a reunião foram apresentados estudos desenvolvidos com base em imagens de satélites e modelos matemáticos coletadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Estes trabalhos mostram que a expansão de cana no Brasil não tem causado desmatamento, pois o plantio ocorre prioritariamente sobre pastagens degradadas ou, em menor escala, áreas já cultivadas. O grupo também foi informado que a produção da cana não utilizada mais do que 2,5% de todas as terras aráveis no Brasil e não compete com a produção de alimentos no País, produção esta que mais do que duplicou somente na última década.

“Com base nas apresentações, estamos confiantes de que a indústria de cana do Brasil é sustentável. No entanto, temos que levar dados científicos para apresentar ao governo. Na minha opinião isso não será um problema,” afirmou Katsura Fukuda.

Na UNICA, Katsura Fukuda e Hiromi Yamamoto, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Central da Indústria Elétrica do Japão, foram recebidos pelo diretor executivo da entidade, Eduardo Leão de Sousa, pela assessora sênior do presidente para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, e pelo consultor de emissões e tecnologia, Alfred Szwarc. Também participaram do encontro o diretor geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar, o pesquisador do INPE, Bernardo Rudorff e o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp, Isaias Macedo.

Programação

Ao longo da semana, os pesquisadores japoneses conheceram o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas; o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba; a Embrapa, em Jaguariúna; e a usina Rio Claro da ETH, em Caçú (Goiás).