22 de março de 2010

A Ferrugem Alaranjada (puccinia kuehnii), uma das doenças que mais ameaçam a cultura da cana-de-açúcar, surgiu no Brasil pela primeira vez em dezembro do ano passado. No início de 2010, se alastrou para plantações do Paraná, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.  Um cenário adverso, mas que poderia ser pior não fossem os investimentos em programas para melhorar e adaptar variedades de cana-de açúcar, avalia Luciano Rodrigues, assessor econômico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

“A experiência acumulada para combater outros tipos de doenças fez com que o produtor brasileiro se conscientizasse da necessidade de diversificar o canavial. Esse trabalho, combinado com o desenvolvimento de variedades adaptadas às diferentes condições edafoclimáticas (clima e solo), fruto do enorme esforço na área de pesquisa, fez com que a produção do País ficasse menos suscetível às novas pragas e doenças,” avalia Rodrigues.

Variedade da cana-de-açúcar

Segundo informações do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), atualmente existem mais de 300 variedades da planta de cana-de-açúcar, mas apenas 80 são cultivadas. Dessas variedades plantadas, somente quatro foram consideradas suscetíveis à Ferrugem Alaranjada. São elas as variedades RB72454, SP891115, SP842025 e CV14.

“Variar a cana plantada é uma recomendação feita desde outras doenças antigas que já causaram perdas maiores. Existe uma orientação geral para que não se plante mais do que 15% de uma mesma variedade por área,” explicou Enrico De Beni Arrigoni, coordenador de pesquisa em fitossanidade do CTC.

A doença da folha da cana

A Ferrugem Alaranjada é uma doença causada por um fungo que causa lesões nas folhas, denominadas pústulas, onde são produzidos os esporos que funcionam como semente do fungo para sua propagação. Depois de instaurada a doença, uma quantidade enorme de esporos é lançada no ar, o que contamina outras plantas daquele mesmo talhão (espaço de terra), ou de outras áreas. O vento é a principal forma de disseminação da doença.

De acordo com Arrigoni, a folha atacada reduz sua atividade fotossintética, trabalhando menos e morrendo antes de concluir seu ciclo normal de vida. “Quando a folha morre, ela para de produzir açúcares, causando uma queda na produtividade agrícola e na riqueza desta cana. Países como Austrália tiveram perdas de até 40% na produção nas variedades infectadas.”

No ano 2000, a Ferrugem Alaranjada se manifestou gravemente na Austrália. O país tinha 86% da área produtora ocupada por uma única variedade de cana, a qual se mostrou extremamente suscetível à doença. Arrigoni explica que a situação do Brasil é bem diferente: “Se, por hipótese, o produtor tiver apenas 10% da área plantada com uma variedade suscetível a uma doença que reduz a produção em 40%, na verdade, ele só terá 4% da sua produção comprometida,” conclui.

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