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Preço do etanol é menor nas usinas mas com pouco reflexo consumidor

25 de fevereiro de 2010

O preço médio do etanol hidratado recebido pelos produtores caiu pela quarta semana consecutiva, chegando a R$ 1,09 por litro no período de 15 a 19 de fevereiro, sem impostos. Apesar desse recuo, os preços do produto na bomba subiram. No Estado de São Paulo, no acumulado das quatro últimas semanas, enquanto o preço no produtor caiu 9,5%, o da bomba cresceu 1,32%. Já o preço de venda pelas distribuidoras aumentou 1,53% no mesmo período, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em valores absolutos, se a queda de R$ 0,13 por litro no preço do etanol hidratado tivesse sido repassada ao consumidor, a paridade etanol/gasolina seria de 68%, em vez dos 73% apurados na terceira semana de fevereiro. Isso aumentaria a competitividade do etanol frente à gasolina. A paridade avalia o preço relativo do etanol hidratado comparado ao preço da gasolina tipo C, utilizando como parâmetro de competitividade para o etanol o limite de 70% do preço do litro da gasolina na bomba.

Mesmo com os preços mais altos na bomba, as vendas de etanol hidratado pelas unidades produtoras cresceram 2,25% na primeira quinzena de fevereiro, para um total de 436,85 milhões de litros comercializados, contra 427,00 milhões de litros na quinzena anterior. Esses números revelam a preferência do consumidor pelo etanol, que é um combustível renovável com reconhecidas externalidades positivas sob o ponto de vista social e ambiental.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras totalizaram 717,08 milhões de litros na primeira quinzena de fevereiro, sendo 707,89 milhões para o mercado doméstico e apenas 9,19 milhões para o mercado externo.

Moagem

A moagem de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul totalizou 2,86 milhões de toneladas na primeira quinzena de fevereiro, um crescimento de 10,85% em relação à quinzena anterior (segunda quinzena do mês de janeiro), quando foram processadas 2,58 milhões de toneladas de cana.

As condições climáticas menos adversas permitiram um aumento da moagem nessa quinzena, apesar da redução do número de usinas em operação durante um período em que, normalmente, ocorre a entressafra. No final de janeiro, 68 unidades continuavam moendo cana, número que caiu para 49 empresas no início de fevereiro.

Na segunda quinzena de fevereiro, cerca de 40 usinas devem prosseguir com a moagem e quatro unidades produtoras que haviam encerrado a safra no final de 2009 já começaram a processar a cana da próxima safra (safra 2010/2011). No acumulado desde abril, a moagem da safra 2009/2010 atingiu 532,47 milhões de toneladas, 5,98% superior ao volume processado no mesmo período do ano anterior, que foi de 502,41 milhões de toneladas.

Qualidade da matéria-prima

Apesar do crescimento da moagem, a quantidade de produtos disponíveis para a produção de açúcar e de etanol nessa safra permanece 1,79% inferior ao volume disponível no mesmo período da safra passada.  Tal fato ocorre devido à menor quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana na safra 2009/2010, que até o momento é de 130,62 kg de ATR/t de cana, 10,34 quilos inferior ao mesmo período do ano anterior.

Na primeira quinzena de fevereiro, a quantidade de ATR por tonelada de cana foi de 103,28 quilos.

Mix e produção de açúcar e etanol

Do total da cana processada até o momento desde o início da safra, 42,97% foi destinada à produção de açúcar e 57,03% à produção de etanol. Na primeira quinzena de fevereiro, 78,95% da cana moída foi destinada para a produção de etanol. No mesmo período, a produção de açúcar totalizou 59,30 mil toneladas e a de etanol 136,80 milhões de litros, sendo 109,20 milhões de etanol hidratado e 27,60 milhões de anidro.

No acumulado da safra, a produção de açúcar chegou a 28,48 milhões de toneladas, 6,73% maior que o volume observado na safra 08/09 (26,68 milhões). A produção de etanol, por sua vez, alcançou 23,18 bilhões de litros, sendo 17,02 bilhões de etanol hidratado – crescimento de 3,65% sobre a safra anterior – e 6,16 bilhões de etanol anidro, com queda de 27,67% em relação a safra passada.

SOBRE OS DADOS DA SAFRA

Para acessar os dados da safra, clique aqui.

Os dados divulgados nesta atualização de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos e associações de produtores da Região Centro-Sul:

ALCOPAR – Associação dos Produtores de Etanol e Açúcar no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
SIAMIG – Sindicato da Ind. de Fabricação do Etanol no Estado de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria dos Fabricantes de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo