30 de março de 2016

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) divulgou na última terça-feira (29/03) os preços-teto para o próximo Leilão de Energia A-5, previsto para ocorrer em 29 de abril deste ano, e que contratará energia de novos empreendimentos de geração, com início de suprimento a partir de 2021. Para a fonte biomassa, o preço-teto estabelecido foi de R$ 251/MWh, 11% inferior ao estabelecido no ano passado para o último Leilão A-5.

As termelétricas a carvão, que concorrerão diretamente com a fonte biomassa, tiveram estabelecido o mesmo preço de R$ 251/MWh. Já para termelétricas a gás natural, o valor máximo a ser pago por MWh será de R$ 290, enquanto que para eólicas ficará em R$ 223. Para empreendimentos hidrelétricos, o preço-teto será de R$ 227/MWh.

Para o Leilão A-5 de 2016, em termos de potência cadastrada, a liderança cabe à fonte eólica, com 864 projetos somando 21.232 MW. Na sequência aparecem as térmicas a gás natural, com 36 projetos totalizando 18.741 MW, e sete térmicas a carvão ofertando um total de 3.056 MW. A biomassa ocupa a quarta posição. Cadastrou 64 projetos, incluindo um de geração de biogás, totalizando 3.040 MW em capacidade instalada. Isso representa 6,4% do total de potência cadastrada para o certame.

De acordo com o gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, a falta de clareza e previsibilidade na condução de uma política setorial para a bioeletricidade ainda prejudica o investimento naquela fonte. “Em 2014, o Leilão A-5 teve um preço-teto para a biomassa de R$ 209 por MWh. Em 2015, esta remuneração subiu para R$ 281 e, agora, reduz em mais de 11%, caindo para R$ 251 por MWh. Tínhamos a esperança de que o preço para a bioeletricidade sucroenergética continuasse a melhorar, incorporando os benefícios desta fonte para o sistema e estimulando o retorno do investimento de forma mais robusta”, avalia Souza.

Segundo o executivo, se fossem contratados todos os projetos de bioeletricidade cadastrados para o Leilão A-5 em 2016, isto significaria trazer minimamente algo como R$ 15 bilhões em investimentos para a cadeia produtiva da biomassa, que opera atualmente com capacidade ociosa. Baseado em estimativas do BNDES, Souza também menciona que agregar 3.040 MW de biomassa à matriz de energia elétrica proporcionaria a contratação de aproximadamente 50 mil novos empregos diretos naquela cadeia produtiva.

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