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Preços nos mercados regulados e livres preocupam investidores

3 de agosto de 2015

O preço-teto estabelecido para o Leilão regulado A-3, que acontecerá no dia 21/08, contratando energia para suprimento a partir de 2018, foi estabelecido em R$ 218/MWh para a fonte biomassa. O edital do Leilão e o preço-teto foram aprovados no dia 21/07, durante a reunião da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica.

Para o Leilão, foram cadastrados 586 projetos das fontes eólica, biomassa, de Pequenas Centrais Hidrelétricas e gás natural que totalizaram 23.206 MW de potência habilitável. A fonte biomassa apresentou 24 projetos, com potência habilitável de 1.114 MW, representando apenas 4,8% do total cadastrado.

Para o gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar Souza, embora o preço-teto em relação ao A-3 de 2014 tenha se elevado, frustrou expectativas e não será capaz de atrair investimentos, de forma robusta, para a atividade de bioeletricidade no setor sucroenergético.

“O último Leilão A-5, que aconteceu em abril, teve um preço-teto de R$ 281 por MWh. Mesmo sendo um leilão para entrega em 2020, não vejo porque tanta diferença de preço entre os dois leilões. O ideal seria que o A-3 tivesse tido até um preço superior ao último A-5, o que sinalizaria que o governo realmente quer estimular o retrofit [reforma] das usinas e o aproveitamento da palha para a geração de energia. Neste nível, esses investimentos não avançarão”, comenta o especialista.

No mercado livre de energia elétrica, o cenário também preocupa. O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que apresentou por várias semanas em 2014 valores acima de R$ 800/MWh, agora, para a semana operativa que vai de 01/08 a 07/08, no submercado Sudeste/Centro-Oeste, tem um preço de R$ 121,29/MWh no patamar mais pesado de carga
(nas horas do dia em que há maior consumo de eletricidade).

O PLD é divulgado semanalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e acaba balizando o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo. “Com a redução do PLD e do preço da energia no mercado de curto prazo, boa parte das oportunidades de aquisição de biomassa complementar para uma geração extra se torna inviável, pois, por exemplo, estão associadas à coleta da palha e ao transporte dessa biomassa própria e de terceiros até as usinas, cujas distâncias são significativas e ao PLD atual não conseguem ser remuneradas adequadamente como aconteceu em 2014”, explicou Souza.

Renda da bioeletricidade no setor sucroenergético: cenário bem diferente

Segundo o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, o faturamento adicional que algumas unidades conseguiram no ano passado, com a venda extra de energia, auxiliou a reforçar o caixa das usinas. “O cenário agora é outro. Com a redução dos preços de curto prazo da energia, não veremos o mesmo fôlego da safra passada para a renda da bioeletricidade e que ajudou as empresas a manter em dia o pagamento de suas obrigações, de fornecedores de cana a de serviços” avalia Padua.

Para Padua, no mercado regulado, dos leilões federais, também é importante ter continuidade na melhora do preço, de forma a permitir o retorno do investimento em bioeletricidade de modo contínuo e consolidado. A atividade de venda de energia precisa ter previsibilidade quanto à rentabilidade. Este é um tema relevante para o setor. Um ambiente estável e remunerador para a bioeletricidade significa trazer renda para todo o setor sucroenergético.

Recentemente, a bioeletricidade foi um dos fatores para a UNICA e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) criarem um grupo técnico para rever as normas do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo (Consecana), que estabelece um mecanismo de pagamento da cana com base em um percentual da receita média anual da indústria.

“O problema do Consecana não é a falta de regras, um sistema de pagamento da cana-de-açúcar com critérios técnicos bem definidos. O que estamos observando nos últimos anos é a falta de preços dos produtos da cana de açúcar e da energia que não remuneram os custos da produção agrícola e do processamento industrial,” defendeu Padua.