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Presidente da UNICA defende agenda comum com os EUA em evento

14 de fevereiro de 2013

Fortalecer a demanda global pelo etanol brasileiro e fazer do combustível uma commodity global. Este posicionamento foi reiterado pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, durante participação em um dos principais eventos anuais realizados nos Estados Unidos com foco no etanol, o National Ethanol Conference (NEC). A 18ª edição da conferência, organizada pela Associação de Combustíveis Renováveis dos EUA (Renewable Fuels Association, ou RFA), aconteceu na cidade de Las Vegas de 5 a 7 de fevereiro.

Em sua apresentação, Farina detalhou o sucesso do carro flex no Brasil, que este ano completa 10 anos no mercado nacional, assim como a volta da mistura de 25% de etanol na gasolina, programada para vigorar a partir de 1º de maio deste ano segundo o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. “Com o advento dos veículos flex, o consumidor brasileiro deixou de fazer a escolha do combustível que abastece seu carro na concessionária e passou a fazer a opção na bomba dos postos. Todos os carros no Brasil, flex ou não, usam o E25 e todos funcionam perfeitamente, sem complicações ou problemas com o sistema.”

Os comentários sobre o funcionamento dos veículos no Brasil foram aplaudido pelo auditório, em clara manifestação do público contra a posição de algumas montadoras dos Estados Unidos que afirmam não ser possível um veículo rodar com etanol misturado à gasolina, enquanto outras se posicionam contra a adoção da mistura de 15% no país, o E15.

Aproveitando o bom momento, Elizabeth Farina durante conferência da RFA em Las VegasFarina comentou os programas internacionais que aprovam o etanol de cana produzido no Brasil, como o RFS (Renewable Fuel Standart), o LCFS (Low Carbon Fuel Standart) da Califórnia e a Diretiva Européia. Ela afirmou que a partir do momento em que os Estados Unidos questionam os programas internamente, seria mais apropriado aprender com o exemplo brasileiro do que pensar em fazer alterações nos programas. “Se as regras são alteradas durante sua vigência, o investimento vai para outro lugar, onde as normas são claras e estáveis,” afirmou.

A presidente da UNICA falou sobre os projetos envolvendo etanol celulósico em andamento no Brasil, citando a construção da primeira usina de produção em escala comercial do País pela GraalBio, programada para 2014. O fim do uso do fogo na colheita da cana-de-açúcar no Estado de SP, o desenvolvimento de novas variedades de cana adaptadas para a nova fronteira brasileira e os investimentos em tecnologia para diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa na produção da vinhaça, também foram destacados.

Também presente no evento e no mesmo painel com Farina, Bob Dinneen, presidente da RFA, lembrou que o principal objetivo da associação é abrir novos mercados e derrubar barreiras, especialmente as da União Européia. Dinneen e Farina concordaram que é necessário criar um mercado global e uma agenda comum entre Brasil e EUA. O executivo da RFA finalizou criticando a política pública brasileira de combustíveis que regula artificialmente o preço da gasolina e torna o etanol menos competitivo no mercado.

Elizabeth Farina concluiu frisando a importância de mercados livres, destacando a importância do comércio de etanol para Brasil e Estados Unidos, que juntos respondem por mais de 80% da produção mundial do biocombustível. Ela convidou Bob Dinnen para vir ao Brasil e trabalhar com a UNICA na elaboração de uma agenda comum. Dineen aceitou o convite publicamente e mais uma vez garantiu sua participação no Ethanol Summit 2013, um dos principais eventos do mundo voltados para as energias renováveis, particularmente o etanol. A quarta edição do Summit, organizado a cada dois anos pela UNICA, será realizada nos dias 27 e 28 de junho no Grand Hyatt Hotel de São Paulo.

A participação da UNICA no evento faz parte da parceria da entidade com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Além de Elizabeth Farina, participaram dos debates: Bob Dinneen, presidente da RFA, Scott Thurlow, presidente da Canadian Renewable Fuels Association, Rob Vierhout, secretário Geral da ePURE e Poul Ruben Andersen, vice presidente de Bioenergia da Novozymes A/S.