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Presidente Obama volta a elogiar programa brasileiro de etanol

19 de julho de 2011

Quando o assunto é energia renovável, o sucesso do programa brasileiro de etanol tem sido reiteradamente lembrado como exemplo pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama há pelo menos três anos. No dia 6 de julho, ele repetiu a dose durante uma reunião virtual com eleitores (Townhall Meeting), na qual respondeu a uma série de perguntas enviadas pelo Twitter, a rede social de penetração global para divulgação de mensagens curtas.

Por mais de uma hora o líder americano respondeu perguntas selecionadas pelo sistema de busca do Twitter,  a partir de dezenas de milhares de “tweets” (mensagens) enviados. As questões foram lidas pelo empresário e um dos criadores do Twitter, Jack Dorsey, e toda a sessão foi transmitida ao vivo por meio de um webcast ainda disponível, na página criada na Internet especialmente para o evento.

“Eles (brasileiros) conseguiram a partir da cana-de-açúcar, que é um processo mais eficiente do que o etanol feito através do milho. Desta forma, com mais pesquisa básica para encontrar melhores formas de desenvolver o mesmo conceito, acredito que este é o caminho certo a ser seguido,” disse Obama em resposta a uma pergunta de Matt Mason, da cidade de Dayton, estado de Ohio, que se identificou no Twitter como #mostlymoderate. A intervenção de Mason ocorreu mais em tom de sugestão do que de pergunta: “Cortar os subsídios concedidos às indústrias que já não se encontram mais em crise ou que não tem sido bem sucedidas como no caso do algodão, petróleo, milho e etanol”.

Senado

No começo de sua resposta, o Presidente Obama referiu-se ao recente e acalorado debate no Congresso Americano, que resultou, um dia após o evento, em um acordo no Senado dos Estados Unidos. A expectativa é que, se sancionado, o acordo revogue o benefício fiscal de US$ 6 bilhões anuais concedido à indústria de etanol nos Estados Unidos já por mais de três décadas. O acordo também pede o fim da tarifa de US$ 0,54 por galão (US$ 0,14 por litro) sobre o etanol importado pelos EUA, o que tira a competitividade do etanol brasileiro de cana naquele mercado.

“Acho importante, mesmo para os americanos de estados rurais que tradicionalmente têm sido fortes defensores do etanol, que examinem de fato os programas de ponta de biodiesel e etanol que permitem, por exemplo, que o Brasil utilize biocombustíveis em pelo menos um terço do seu sistema de transportes,” afirmou Obama. Ele também citou o etanol produzido a partir do milho como um dos processos “provavelmente menos eficientes de produção de energia,” entre os vários existentes.

Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), lembra que a bem-sucedida produção do etanol brasileiro em larga escala tem sido citada nos pronunciamentos do Presidente Obama com bastante frequência: “Ele se referiu ao etanol brasileiro durante visita oficial ao Brasil em março de 2011 e antes disso, em setembro de 2010, quando descreveu o programa como um enorme sucesso e um exemplo a ser seguido por outros países, especialmente os da América Central”.

“O Presidente Obama sempre reconheceu a importância do que tem sido feito pelo Brasil ao longo de quase quatro décadas, tanto do ponto de vista estratégico quanto ambiental. Após o acordo alcançado no Senado americano, estamos confiantes de que as vantagens de um mercado livre para o etanol nos dois maiores produtores mundiais, Brasil e EUA, agora parecem claras também para o Congresso americano,” concluiu Jank.

Twitter

Íntegra da pergunta e resposta do Presidente Obama ao internauta Matt Dason

(@mostlymoderate):

Questionamento:

“Cortar os subsídios concedidos às indústrias que já não se encontram mais em crise ou que não foram bem sucedidos como no caso do algodão, petróleo, milho e etanol”.

Resposta:

“Bem, houve um interessante debate no Congresso americano recentemente. Sou um grande incentivador dos biocombustíveis. Mas uma das coisas que se tornou clara é que precisamos acelerar nossa pesquisa básica em etanol e em outros biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas como lascas de madeira e algas, em vez de somente nos concentrarmos no milho, que é provavelmente o menos eficiente entre várias outras alternativas. Acho importante, mesmo para os americanos de estados rurais, que tradicionalmente têm sido fortes defensores do etanol, que examinem de fato os programas de ponta de biodiesel e etanol que permitem, por exemplo, que o Brasil utilize biocombustíveis em pelo menos um terço de seu sistema de transportes. Eles (brasileiros) conseguiram a partir da cana-de-açúcar, que é um processo mais eficiente do que o etanol produzido do milho. Desta forma, com mais pesquisa básica para encontrar melhores formas de desenvolver o mesmo conceito, penso que é o caminho certo a ser seguido”.