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A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) irá demandar nos próximos 10 anos um aumento de quase 100% na produção de etanol no Brasil. Dados divulgados nesta terça-feira (17), pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), apontam que a produção de etanol na região Centro-Sul, na safra 2019/2020, deve atingir 33,1 bilhões de litros, valor recorde na série histórica. Esta é a segunda safra consecutiva de aumento expressivo na produção de etanol, um crescimento de 7,1% em relação ao volume observado na temporada passada (30,95 bilhões de litros).

“Este é o primeiro passo para o crescimento necessário para atingirmos a meta do RenovaBio nos próximos anos. De 2018, quando o projeto foi aprovado, até agora, a produção de etanol já aumentou em 7 bilhões de litros, representando um terço da meta para 2029”, comenta Luciano Rodrigues, gerente de Economia da UNICA.

O Renovabio entra em vigor no dia 24 de dezembro deste ano com toda a regulamentação concluída. O programa tem como objetivo reduzir as emissões de carbono da matriz de transportes por meio do aumento da participação de biocombustíveis.

A política também cria o mercado de crédito de carbono, com o objetivo de compensar a emissão de gases causadores do efeito estufa gerada pelo uso dos combustíveis fósseis, estabelecendo que cada Crédito de Descarbonização (Cbio) equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser emitida na atmosfera. Também estabelece o desmatamento zero e a adequação ao Código Florestal como pré-requisitos para participação no programa.

Para o presidente da UNICA, Evandro Gussi, atualmente os países buscam mais do que negócios sustentáveis, querem reduzir e, posteriormente, neutralizar as emissões de carbono. “Com o RenovaBio, deixamos a fase de ser um negócio sustentável, para ter a sustentabilidade como negócio e, daqui para frente, o que teremos com o RenovaBio é uma redução de CO2 on demand. Nós, que começamos produzindo açúcar, depois partimos para o etanol e bioeletricidade, agora temos no portfólio do setor sucroenergético, a partir de janeiro de 2020, o serviço de redução de emissões, de geração de Créditos de Carbono”, destaca o executivo.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 199 produtores de biocombustíveis estão com a certificação em andamento, dos quais 86 já estão em fase final de consulta pública. Cinco empresas já tiveram a nota de eficiência energética publicada no site. Essas empresas que finalizaram ou estão na reta final da certificação já asseguram uma quantidade significante de CBios para serem comercializados no início de 2020.

Maior participação do etanol

Mais motoristas passaram a usar o biocombustível com a produção histórica. De janeiro a outubro deste ano, a participação do etanol chegou a 48%. Maior número desde 2009, quando a participação do biocombustível foi de 48,41%.

E os motoristas que escolheram etanol na hora de abastecer também tiveram um alívio no orçamento. Nos dez primeiros meses deste ano, usar o biocombustível representou uma economia de R$ 3,4 bilhões. Além de reduzir a poluição do ar, principalmente, nas grandes cidades.

Crescimento na produção

Mesmo com quatro meses de safra 2019/2020 pela frente, a quantidade de cana processada pelas usinas do Centro-Sul já é maior do que o total da safra passada.

“A posição até dezembro já é maior do que a safra anterior concluída. Nós colhemos 573 milhões de toneladas de cana em 2018/2019 e, até o primeiro dia de dezembro de 2019, colhemos 575 milhões de toneladas. Temos ainda 23 usinas que ainda estão processando”, afirma o diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues.

Nesse cenário, a previsão é que a safra 2019/2020 termine com crescimento de 2,9%, chegando aos 590 milhões de toneladas processadas.

De acordo com o levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade da área colhida até o final de novembro atingiu 76,39 toneladas por hectare no atual ciclo agrícola ante 73,31 toneladas na safra 2018/2019.

A maior concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima nas últimas quinzenas exigiu uma revisão nos valores esperados para a safra 2019/2020. No acumulado desde o início do atual ciclo até 1º dezembro, o indicador atingiu 139,22 kg por tonelada de cana-de-açúcar, ante 138,95 kg observados no mesmo período em 2018.

A expectativa diante das informações disponíveis é de que a quantidade de ATR totalize 138,50 kg, com ligeiro aumento na comparação com o valor registrado na temporada 2018/2019 (137,88 kg por tonelada).

A UNICA estima que 34,29% da cana-de-açúcar processada na safra 2019/2020 será destinada à produção de açúcar, ante 35,21% observados no ciclo anterior. A produção de açúcar esperada para o final da safra é de 26,7 milhões de toneladas, alta de apenas 0,72% sobre a oferta registrada em 2018/2019. Portanto, apesar do aumento da moagem de cana-de-açúcar em quase 17 milhões de toneladas, a produção deve apresentar crescimento inferior a 200 mil toneladas.