14 de maio de 2010

undefinedA produção de etanol a partir da cana-de-açúcar no Brasil é modelar e pode ser replicada nos vizinhos latino-americanos. O diagnóstico foi oferecido pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, durante participação na quinta-feira (13/05) do seminário internacional do World Agricultural Forum, realizado em Brasília.

“Se o mundo começar a pensar de forma adequada a segurança energética e tiver uma posição séria em relação às mudanças climáticas, neste caso teremos de fato uma oportunidade de expansão dos biocombustíveis na faixa tropical do planeta. E o Brasil é vanguarda, o que fizemos em 35 anos pode e deve ser replicado em outros países,” afirmou Jank durante o painel  “A próxima geração de biocombustível – a América Latina é um líder ou um seguidor?”

O executivo citou, além do Brasil, a produção de biocombustíveis na Argentina e o avanço de países como Peru e Colômbia nesta área. “O potencial é enorme em várias frentes: bioeletricidade, com o uso da biomassa da cana, os bioplásticos, e isto sem contar a enorme revolução do etanol de segunda geração que está por vir,” afirmou.

Barreira Agrícola

Durante o debate – que foi coordenado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e teve ainda como convidado o representante regional e subdiretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), José Graziano –, Jank mais uma vez defendeu a liberalização comercial do etanol no mundo. “O que assistimos hoje é uma contradição: o petróleo, um combustível fóssil, não é taxado comercialmente, é livre. Enquanto isto os biocombustíveis são altamente protegidos nos países produtores, que limitam a sua expansão global,” afirmou.

O presidente da UNICA voltou a insistir nas barreiras comerciais e agrícolas que impedem a exportação do etanol brasileiro, particularmente aos Estados Unidos – que impõem forte sobretaxa ao produto – e também a Europa. “É contraditório um combustível de baixo carbono, como o etanol, ter estes entraves e não o petróleo,” afirmou.

Já o representante da FAO argumentou que a cultura da cana no Brasil tem um viés econômico que precisa ser reavaliado. “Plantar energia pode ser uma fonte de renda importante, pois fortalece os preços e conduz a uma situação de não dependência da agricultura com a produção de alimentos,” avaliou José Graziano.

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