11 de fevereiro de 2011

A construção de uma ação conjunta para evitar incêndios nas áreas plantadas com cana e em florestas do estado foi o principal objetivo de um encontro realizado em São José do Rio Preto nesta quarta-feira (09/02), reunindo produtores, usinas e a Polícia Ambiental de São Paulo. Durante quase cinco horas, mais de 200 representantes do setor sucroenergético e da autoridade policial debateram formas de impedir a propagação de fogo descontrolado, especialmente durante os períodos mais críticos de seca, que coincidem com a safra de cana.

Durante o evento, técnicos das usinas São Martinho e Guarani apresentaram resumos de suas práticas de combate a incêndios, utilizadas pelas duas tradicionais empresas com sucesso há vários anos. Entre as ações destacadas estão o monitoramento durante 24 horas a partir de  torres de observação; brigadas contra incêndio posicionadas em pontos estratégicos, inclusive nas frentes de corte mecânico; comunicação permanente por rádio e treinamento constante de pessoal especializado em combater incêndios.

“Precisamos que estas práticas sejam estendidas a todas as usinas e à comunicação entre elas, além de ampliar o intercâmbio com a Polícia Ambiental,” disse o comandante da instituição em São José do Rio Preto, Gilmar Ogawa. “É essencial que todos reconheçam que a atividade apresenta risco,” acrescentou o comandante, que co-organizou o evento juntamente com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Ogawa sugeriu ainda ações como a ampliação e limpeza de aceiros, que são faixas de terreno livre, mantidas para impedir a propagação de incêndios; a limpeza das margens de rodovias; e comunicação pelos produtores à polícia de movimentação de quaisquer pessoas estranhas à atividade.

Protocolo Agroambiental

Ricardo Viegas, responsável pelo projeto Etanol Verde da Secretária do Meio Ambiente de São Paulo, afirmou que a iniciativa de promover o diálogo é um passo importante na união de esforços para combater o problema. “Estamos deixando o fogo para o passado com o Protocolo Agroambiental. Agora, temos de buscar formas de evitar incêndios em áreas onde já houve a colheita de cana crua,” disse Viegas. O Protocolo firmado entre produtores, usinas e o governo em 2007 determina a eliminação da queima da palha da cana em 2014 em áreas mecanizáveis e em 2017 em todas as áreas com cultivo de cana-de-açúcar.

Viegas adiantou que o governo estadual prepara um plano, a ser aplicado na próxima safra, que terá a participação das secretarias de Meio Ambiente, Transportes e Agricultura, além de produtores e polícia ambiental. O planejamento conjunto visa evitar incêndios acidentais ou criminosos.

Razões múltiplas para o fogo

De acordo com a Polícia Ambiental, descuidos, imprevidência, ignorância e até mesmo ações criminosas foram responsáveis por incêndios em mais de 12,5 mil hectares no Estado de São Paulo em 2010.

“Está claro perante a sociedade que temos um compromisso público com a eliminação do fogo no corte de cana em São Paulo,” disse Sérgio Prado, representante da UNICA em Ribeirão Preto. Ele acrescentou que quando há propagação de fogo acidental ou criminoso em áreas de cana a ser colhida, ou de palha oriunda da mecanização, quem mais perde é o produtor. Além do prejuízo ocasionado na lavoura e equipamentos, a usina ou o fornecedor vem sendo responsabilizados criminalmente.

“O cerne da questão não é a busca por culpados depois que o fogo se descontrolou, mas evitar que isto aconteça,” argumentou Prado. Ricardo Viegas acrescentou ser difícil imaginar que um produtor seja tão insensato a ponto de, depois de ter colhido a cana sem queimar, venha a atear fogo no seu patrimônio, pondo inclusive vidas em risco. “Uma pessoa morreu quando tentava apagar um incêndio no ano passado. Isso não pode mais ocorrer.”

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