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Produtos da cana devem contribuir com agenda de negócios da Holanda

19 de novembro de 2012

A Holanda tem plena consciência da necessidade de ações que estimulem uma economia de baixo carbono no país, pois está ciente da necessidade de cumprir a Diretiva Européia, que exige a substituição progressiva de combustíveis fósseis por renováveis na área dos transportes. Assim se manifestou o consultor sênior do Ministério de Infraestrutura holandês, Jaco Tavenier, durante visita à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) no final de outubro (30/10).

“É um desejo da Holanda se posicionar no mercado global como pólo distribuidor de biocombustíveis para os demais membros da União Européia (UE),” afirmou o representante do governo holandês após apresentação conduzida pelo diretor executivo da UNICA, Eduardo Leão de Sousa que abordou a atual conjuntura do setor sucroenergético brasileiro e os projetos sócio-ambientais desenvolvidos pela indústria da cana.

“Em termos econômicos já temos uma agenda muito clara. Nos próximos dez anos, queremos investir não apenas em combustível sustentável de cana, mas também na produção de bioenergia e, definitivamente, ela será um dos mais importantes pilares para a indústria verde no país,” destacou Tavenier.

Acompanhado do consultor em sustentabilidade, Rob Cornerlissen, Tavenier veio ao Brasil para aprofundar conhecimentos sobre a indústria da cana e participar da 5a reunião no âmbito do Memorando de Entendimento entre Brasil e Países Baixos sobre Bioenergia (MoU), realizada em Brasília (DF) no dia 1 de novembro. Assinado em 2008, o acordo prevê a troca de informações e tecnologias para a produção, logística e transporte do etanol brasileiro, assim como projetos comuns de fabricação do combustível de cana em países emergentes.

“Os produtos da cana são opções que podem auxiliar a Holanda a diversificar o fornecimento de combustíveis, melhorando a segurança energética e ao mesmo tempo ajudando o país a atingir suas metas ambientais,” destacou Sousa ao final do encontro.

Diretiva Européia

Aprovada em 2008, a Diretiva Européia para Promoção de Energias Renováveis (RED) estabelece até 2020 o uso de 10% de fontes renováveis no setor de transportes e a redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa (GEEs). Para Sousa, o etanol de cana-de-açúcar é a solução mais viável para que os índices desejados pelos europeus sejam alcançados.

“O etanol de cana-de-açúcar, quando fabricado em larga escala, é o que mais pode ajudar a atingir as metas européias, pois reduz em até 90% as emissões de GEEs quando comparado à gasolina,” destacou Sousa.

Segundo o representante da Holanda, o país possui objetivos ambiciosos que incluem o cumprimento da RED e o desenvolvimento de novas linhas de negócios. “A revolução não acontecerá amanhã, mas temos um documento com objetivos claros detalhando onde queremos estar em dez anos, e nele é muito clara a importância dos produtos renováveis como os derivados da cana,” enfatizou Tavenier.