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Projeto AGORA: seminário em Brasília traz radiografia do setor

13 de outubro de 2009

O seminário “O Setor Sucroenergético e o Congresso Nacional: construindo uma agenda positiva”, que ocorre nesta quarta-feira (14/10) na Câmara dos Deputados, em Brasília, apresentará uma série de estudos realizados por reconhecidos pesquisadores brasileiros, que trazem conclusões importantes sobre a matriz energética brasileira e os ganhos que o País vem obtendo com a utilização de biocombustíveis.

O evento faz parte do Projeto AGORA – Agroenergia e Meio Ambiente, iniciativa de comunicação institucional da cadeia produtiva sucroenergética que visa transmitir à classe política e à opinião pública os benefícios das energias renováveis. O Projeto conta com o apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), das empresas Monsanto, Itaú-Unibanco, Dedini, Basf e Sew Eurodrive e dos principais sindicatos de produtores e fornecedores de cana da Região Centro-Sul.

Um dos trabalhos, o mapeamento da cadeia sucroenergética, realizado pelos professores Marcos Fava Neves, Vinicius Gustavo Trombin e Matheus Consoli, traça pela primeira vez todos os elos da cadeia energética, com a aplicação do método GESis (Gestão Estratégica de Sistemas Agroindustriais). O estudo permitiu definir o faturamento do setor: US$ 28,15 bilhões, equivalente a quase 2% do PIB do Brasil e a movimentação financeira da cadeia, que é de US$ 86,8 bilhões.

Em relação à geração de empregos, uma simulação mostra que a substituição de gasolina por etanol criaria milhares de postos de trabalho no Brasil, a partir de uma análise conduzida pelos pesquisadores Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, Cinthia Cabral da Costa, Joaquim José Maria Guilhoto, Luiz Gustavo Antonio de Souza e Fabíola Cristina Ribeiro de Oliveira. O estudo mostra que na proporção de 15%, seriam gerados 117.701 novos postos de trabalho e demonstra também que o setor sucroenergético tem maior capilaridade do que o petrolífero, contribuindo para a descentralização regional da renda.

Saúde Pública

Os benefícios estendem-se à saúde pública, já que, com a substituição dos derivados de petróleo por etanol na região metropolitana de São Paulo, o nível mais baixo de poluição resultante da troca evitaria 12 mil internações hospitalares e 875 mortes por ano. O estudo – de autoria do médico patologista Paulo Hilário Nascimento Saldiva e dos especialistas em poluição atmosférica Maria de Fátima Andrade, Simone Georges El Kouri Miraglia e Paulo Afonso de André – também projeta, para o mesmo cenário, redução de US$ 190 milhões nos custos.

O Brasil já obtém vantagens a partir de sua matriz energética em que predominam as fontes renováveis em relação às melhorias climáticas. O trabalho dos pesquisadores Luis Gylvan Meira Filho e Isaias de Carvalho Macedo revela que, entre 1990 e 2006, o uso do etanol como combustível permitiu a redução em 10% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Estima-se que desde a criação do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) da ONU, em 2005, o etanol brasileiro evitou emissão equivalente a cerca de 60% de todos os créditos de carbono gerados no mundo.

Motor Flex

Essa constatação é reforçada em estudo do professor Francisco Nigro e do consultor Alfred Szwarc, cuja conclusão mostra que, dos combustíveis alternativos, o etanol é o mais viável para substituir os derivados de petróleo, em parte por aproveitar a infraestrutura de transporte, estocagem e distribuição da gasolina e do diesel. O trabalho também indica que o motor flex pode ser aperfeiçoado.

O presidente da UNICA, Marcos Jank, destaca que o seminário promove o debate e a disseminação de informações sobre a matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo. “É fundamental um ordenamento de longo prazo, que oriente políticas públicas compatíveis com a economia de mercado, criando-se, assim, um ambiente estável para os investimentos e garantias duradouras para os consumidores dos biocombustíveis”, concluiu.