16 de outubro de 2020

O setor sucroenergético brasileiro deu um grande passo no dia de hoje. A Raízen, associada da UNICA, inaugurou nesta sexta-feira (16) a maior usina de biogás com produção a partir de derivados da cana do mundo: a Usina Bomfim, localizada em Guariba (SP). A planta vai produzir biogás por meio de vinhaça e torta de filtro, dois subprodutos da cana. A cerimônia de inauguração contou com a presença do Presidente da República, Jair Bolsonaro, vários Ministros e diversas autoridades. A Unica esteve representada pelo seu presidente, Evandro Gussi.

A usina tem capacidade para produzir 138 mil MWh por ano, o suficiente para abastecer uma cidade com, aproximadamente, 250 mil habitantes. “Somos a maior e acho que única empresa no mundo que consegue realmente fazer etanol do bagaço de cana, usando todas as utilidades que você tem na usina, disse Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Raízen.

O ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a usina era “mais uma etapa desse exemplo de sustentabilidade para o mundo, que é a cadeia da indústria sucroenergética”. Já o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, citou que a usina contribuirá para a diversidade e segurança da matriz energética do país.

Por sua vez, o presidente Jair Bolsonaro fez um breve discurso onde elogiou a iniciativa empreendedora. “É a materialização e comprovação da nossa capacidade, do homem brasileiro”, disse. E complementou que o seu governo não atrapalha os empreendedores.

BIOGÁS – O biogás é produzido a partir de subprodutos do processo produtivo do setor – vinhaça, palha da cana e torta de filtro. É usado para geração de energia elétrica e o biometano, que é o biogás purificado, pode substituir o gás natural e o diesel. Até 2019, o setor de produção de biogás no Brasil contava com 524 plantas de usinas em operação produzindo 1,3 bilhão de m³, mas o potencial de produção é de 84,6 bilhões de Nm³/ano, sendo que o setor sucroenergético tem capacidade para gerar o correspondente a 41,4 bilhões Nm³/ano e o setor da agroindústria a 37,4 bilhões Nm³/ano. O biocombustível apresenta condições para ser associado à produção de energia elétrica com potencial de produção de 190 mil GWh/ano, equivalente a 20% do consumo nacional, ou para ser adotado como substituto para 45 bilhões de litros de diesel, cerca de 35% do consumo brasileiro.

O setor sucroenergético, no ano de 2019, gerou 36.972 GWh de bioeletricidade. Além de limpa e renovável, a bioeletricidade é gerada próxima aos centros consumidores de energia elétrica e é complementar à geração hídrica. O potencial de produção de eletricidade a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar é estimado em 20,2 GW médios até 2023, o que equivale a mais de quatro Usinas de Belo Monte em produção de energia.

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