17 de junho de 2013

A onça-parda, animal de grande porte em perigo de extinção no estado de São Paulo, está passando por um ressurgimento que pesquisadores atribuem, em grande medida, às mudanças dos últimos anos nos canaviais paulistas. Especificamente, à redução no uso do fogo e à manutenção e recomposição de matas, especialmente Áreas de Preservação Permanente, ou APPs, estão produzindo um ambiente propício para que a onça se desloque, reproduza e se alimente da fauna local.

Trata-se de uma consequência inesperada da redução do uso do fogo nos canaviais e da proteção e recomposição de matas que vem ocorrendo no setor sucroenergético. Dados do Protocolo Agroambiental do Estado de São Paulo mostram que mais de 265 milhões de hectares de matas ciliares estão declarados pelo setor sucroenergético e compromissados para recuperação.

Considerado o segundo maior felino do Brasil, a onça-parda fora de seu habitat natural tem gerado ocorrências que levaram à preocupação sobre como as pessoas devem proceder ao encontrar o animal, pois sua população é pequena e apresenta baixa taxa de reposição. Para produzir materiais informativos e equipar funcionários de usinas paulistas de processamento de cana para enfrentar essas situações, um acordo para a proteção da onça-parda vai ser assinado durante a Cerimônia de Abertura do Ethanol Summit 2013, no dia 27 de junho, entre a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

Durante dois anos, o acordo vai viabilizar três eixos de atuação: a capacitação de técnicos das empresas associadas à UNICA por meio de workshops; a elaboração de um manual de procedimentos; e apoio à construção de um centro para reabilitação de animais para que sejam posteriormente reintegrados à natureza e monitorados via satélite. Três filhotes de onça-parda, dois machos e uma fêmea, estão sob cuidados de técnicos do ICMBio para serem devolvidos à natureza em breve.

“A parceria reforça o crescente envolvimento das empresas associadas à entidade com o manejo e a conservação da biodiversidade que habita os canaviais e seus arredores. Além disso, esta pode ser uma oportunidade para ampliarmos o impacto destas ações e, com o apoio do ICMBio, aperfeiçoarmos o que já vem sendo feito,” explica a analista ambiental da UNICA, Beatriz Secaf.

O projeto visa contribuir com o processo de renovação populacional da espécie e permitir que eles cumpram seu papel no ecossistema, como predadores de topo da cadeia alimentar da região. Essa ação beneficiará indiretamente os produtores de cana-de-açúcar, uma vez que a onça-parda se alimenta de espécies menores como javalis, lebres e capivaras, responsáveis por perdas significativas de produtividade, já que se alimentam dos brotos da cana-de-açúcar.“O envolvimento do setor sucroenergético, que já vem contribuindo para a recuperação da fauna no estado, é essencial em iniciativas como essa para a conservação da biodiversidade por meio da adoção de melhores práticas,” acredita a analista do ICMBio, Márcia Rodrigues.

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