2 de setembro de 2008


A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar – divulgou nesta terça-feira (02/09/2008) a primeira revisão da estimativa de safra 2008/09, que registra uma de queda de 10,6 milhões de toneladas na produção de cana na região Centro-Sul, em relação à primeira avaliação. A estimativa considera que metade da safra já foi realizada na região. Segundo a associação, a redução foi provocada, principalmente, pelas condições climáticas desfavoráveis à colheita no primeiro terço da safra, quando o regime de chuvas afetou o aproveitamento do tempo de moagem.


De acordo com a UNICA, também contribuíram para essa redução a alta umidade relativa do ar, que tem dificultado a colheita mecanizada de cana no período noturno, e o atraso no início da moagem das novas unidades produtoras, com início de atividades previsto para este ano, assim como o adiamento no início das atividades de algumas novas usinas. Das 32 novas unidades previstas na primeira estimativa divulgada pela UNICA para a safra 2008/09, três não iniciarão a moagem durante a atual safra e 11 ainda não entraram em operação, devendo iniciar a moagem a partir de setembro. Dezoito outras unidades já estão em operação.


A safra 2008/09 deverá se prolongar até meados de dezembro e a moagem final dependerá do aproveitamento de tempo e do início de atividades das novas unidades produtoras dentro dos prazos estipulados. A revisão dos números finais aponta para uma redução de 2,1% na moagem em relação à primeira estimativa, porém deve ocorrer um incremento de 13,1% comparado com a moagem verificada na safra 2007/2008.


O levantamento da UNICA mostra que em termos de açúcares totais recuperados (ATR), a redução esperada é de 4% em relação à estimativa inicial, indicando um crescimento de 10,1% em relação à safra 2007/08, sendo 1,1% a mais no caso do açúcar e 17,3% de acréscimo no caso da produção de etanol. A produção de açúcar deverá totalizar 26,5 milhões de toneladas, contra 26,2 na safra anterior, enquanto a produção de etanol deve alcançar 23,86 bilhões de litros, contra 20,34 da safra passada.


A cana destinada à produção de açúcar deverá representar 40,5% da moagem total, contra 59,5% da produção de etanol. Os preços do etanol continuam mais remuneradores que os do açúcar, mas ainda não são preços de sustentabilidade da atividade, não trazendo um nível de remuneração adequada aos produtores de cana e à indústria.


As exportações de etanol da região Centro-Sul deverão atingir 4,2 bilhões de litros, representando 17% da produção. Já a venda de etanol para o mercado interno pelos produtores da região Centro-Sul do País deverá chegar a 20,0 bilhões de litros. O mercado interno de etanol continua aquecido, já que 88% do mercado operam com preços de etanol inferiores a 65% do preço da gasolina.


Para o diretor-técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues, o fundamental ao se fazer uma estimativa de safra é conhecer plenamente a capacidade de moagem e a previsão precisa de aproveitamento do tempo disponível, particularmente em momentos em que a oferta de cana é superior à capacidade de moagem, como ocorre neste momento. “Essas foram as premissas básicas da estimativa original, e também agora, da revisão feita pela UNICA em função das condições adversas que afetaram a safra até aqui”, completou.

Clique aqui para ver a tabela de dados.

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