fbpx

Setor pleiteia leilões para negociar excedentes de bioeletricidade

0
6 de novembro de 2008


Apesar de o setor sucroenergético ter comercializado nos leilões de 2008 quase 2,5 mil megawatts (MW) em energia elétrica provenientes da co-geração por biomassa, ainda há um saldo já cadastrado de mais de 5 mil MW em bioeletricidade que poderá ser negociado a partir de 2009. A informação foi divulgada pelo diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, em palestra no evento “Energia em Ação: o que você precisa saber sobre energia no Brasil”, promovido pelo jornal DCI, em São Paulo, nesta quinta-feira (06/11/2008).


De acordo com o executivo da UNICA, o preço continua sendo o grande desafio para os próximos leilões. “As questões regulatórias da conexão já estão praticamente solucionadas. O que falta criar é um mecanismo de precificação que estimule os produtores de bioeletricidade a intensificar os investimentos em eficiência energética, o que ampliaria a oferta de excedente de energia comercializável”, esclareceu Sousa.


“Cabe destacar que já estão identificados e cadastrados produtores com mais de 5 mil MW, que não venderam energia nos últimos leilões de energia de reserva. Trata-se de um saldo de capacidade instalada que poderia ser facilmente utilizado em novos leilões, já a partir de 2009, desde que haja preços remuneradores”, acrescentou. A co-geração de energia a partir da cana-de-açúcar é apontada como uma saída para incrementar o ingresso de recursos para as usinas sucroenergéticas, assegurando condições para investimentos na expansão sustentada da oferta de etanol e bioeletricidade.


Diante da expansão da queima do bagaço de cana-de-açúcar, associado ao futuro uso da palha – que antes era desperdiçada na queima dos canaviais para permitir a colheita manual, e à instalação de caldeiras de alta eficiência, a geração de energia pelas usinas brasileiras tem o potencial de aumentar dos 1,8 mil MW médios atuais para até 11,5 mil MW médios, em 2015. O valor supera a capacidade energética de Itaipu e equivale a 15% da demanda de energia elétrica do País.


Outra vantagem da bioeletricidade, apresentada por Sousa, é a possibilidade de ampliar o nível dos reservatórios hídricos e aumentar a segurança energética do País. “Segundo dados da ONS (Operador Nacional do Sistema Interligado), cada 1.000 MW de bioeletricidade injetado no sistema entre maio e novembro corresponde a um ganho de armazenamento de 4% nos reservatórios”, concluiu.

O evento contou com a participação de autoridades como o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia (MME), Marcio Pereira Zimmermann, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE – MME), Maurício Tolmasquim, e o presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz Lopes.

Clique aqui para ver a palestra de Souza, da UNICA.