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Setor sucroenergético cobra firmeza contra desmatamento da Amazônia

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7 de janeiro de 2009

O Brasil precisa adotar medidas firmes contra a destruição da Floresta Amazônica e, assim, assumir uma posição de liderança global nas negociações sobre mudanças climáticas. A opinião é do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Sawaya Jank, que palestrou no Encontro Empresarial Brasil-UE (União Europeia), em 23 de dezembro de 2008, no Rio de Janeiro. Realizado na semana do Natal, o evento contou com as presenças dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Nicolas Sarkozy, da França, que ocupa temporariamente a presidência da UE.

De acordo com Jank, o País precisa fazer a sua parte. “Se fizéssemos uma redução expressiva da taxa anual de desflorestamento da Amazônia, assumiríamos uma posição de liderança global nas negociações sobre o clima, porque mais de 75% de nossas emissões de gases de efeito estufa  (GEE) estão relacionadas ao desmatamento ilegal, cujas raízes são as deficiências da fiscalização e a falta de direito de propriedade da terra” afirmou o presidente da UNICA. Apenas 4% das terras da Amazônia têm títulos incontestáveis, o que transforma a floresta em alvo para posseiros e grileiros.

Jank, no entanto, elogiou os esforços que passaram a ser empreendidos pelo governo federal: “Felizmente, o governo decidiu enfrentar este problema e anunciou, numa mudança histórica de posição, metas internas de redução de desflorestamento na COP 14, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em dezembro em Poznan, na Polônia). As metas internas fazem parte do Plano Nacional de Mudanças do Clima, aprovado pelo presidente Lula.

Agenda do ano novo

Em 2009, as discussões e consequentes ações contras as mudanças do clima no planeta estarão no centro das atenções do setor sucroenergético, que tem trabalhado ativamente dentro e fora do Brasil em defesa da utilização de fontes renováveis e mais limpas de energia, entre elas, o etanol de cana-de-açúcar. A UNICA enviou ao COP 14 uma equipe liderada pelo diretor-executivo da entidade, Eduardo Leão de Sousa, e focada no tema. “A despeito das calorosas emoções que cercam o tema da redução das emissões de gases do efeito estufa (GEEs), que provocam mudanças no clima, o fato é que 11 anos após a adoção do Protocolo de Kyoto os resultados ainda são bastante modestos”, avaliou Jank.

Após mais de uma década, os Estados Unidos se recusaram a ratificar o protocolo que haviam assinado inicialmente, e a maioria dos países ricos ainda está longe de atingir as metas de redução propostas. “A compensação por meio do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) também encontra imensas dificuldades burocráticas na sua operacionalização, criticou Jank. “Os países em desenvolvimento dividem-se entre os que exigem reduções expressivas, porque correm risco de desaparecer do mapa, como os países insulares; os que se recusam a avançar, como os produtores de petróleo; e os que esperam que os países ricos façam a sua lição de casa antes de pedir o comprometimento dos mais pobres”.

No caso do Brasil, na visão de Jank, há um enorme potencial para reduzir emissões de GEEs. “Temos tudo para reduzir nossas emissões com políticas de fomento ao crescimento sustentável na matriz energética brasileira da parcela dos renováveis, como carvão vegetal renovável, etanol e biomassa de cana-de-açúcar, biodiesel, energia eólica e solar”, defendeu Jank.

O Brasil conta hoje com uma das matrizes mais limpas do planeta, com 46% de energias renováveis. “Apesar disso, infelizmente, a expansão de termoelétricas sujas à base de carvão mineral e óleo combustível e a permanente tentação de reduzir os impostos e os preços administrados da gasolina podem levar a uma queda da participação dos renováveis na matriz energética, a exemplo do que ocorreu nos anos 1990”, prevê o executivo.

Cenário mundial

O presidente da UNICA acredita que os democratas americanos, liderados pelo presidente eleito Barack Obama, vão mudar o rumo dos EUA no que se refere á mudança climática. “Espera-se que os Estados Unidos se apresentem na 15ª  conferencia em Copenhague (COP 15), com posições inovadoras, assumindo um papel de liderança nas negociações do acordo pós-Kyoto, já que o novo governo americano deve combinar políticas fiscais expansionistas com incentivos a tecnologias menos poluentes”.

Para Jank, no entanto, as discussões em Poznan mostraram que não basta vontade política para lutar contra as mudanças do clima. “”Estados Unidos, União Europeia, Brasil, China, Índia e Indonésia são atores centrais que precisam exercer liderança na discussão de novas metodologias e mecanismos de incentivo e em compromissos mais ambiciosos de redução de emissões;. E completou: “Ao menos internamente, é hora de o governo e empresários brasileiros começarem a estudar seriamente a possibilidade de assumirmos metas ambiciosas de redução de emissões por setor, com sistemas de compensações e poltíicas públicas que premiem tecnologias que tragam benefícios sociais e ambientais para a sociedade”.