12 de julho de 2016

Exemplo altamente positivo do uso de controle biológico na agricultura mundial vem da cana brasileira

Desde 1970, graças ao trabalho de excelência realizado por diversos centros de pesquisas do segmento sucroenergético nacional, produtores vêm reduzindo significativamente a aplicação de produtos potencialmente nocivos ao meio ambiente em suas lavouras. Dentre as muitas culturas agrícolas existentes no País, a atividade canavieira é uma das que menos fazem uso extensivo de agrotóxicos para combater pragas e aumentar a produtividade. Segundo dados do Instituto Biológico (IB), em 2015, aproximadamente 30% dos canaviais nacionais foram tratados com agentes não-químicos no combate à broca e à cigarrinha, que mais causam danos à cana no Brasil.

O diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, ressalta que este avanço em direção a uma produção sustentável torna cada vez mais o setor sucroenergético do País um case de sucesso em relação ao desenvolvimento da biodiversidade no campo. “Ao incorporar o controle biológico no processo de cultivo nestes últimos 40 anos, agregamos ainda mais valor à produção, o que faz da cana brasileira uma referência global pela redução de impactos à natureza ao mesmo tempo em que fornece alimento e energia renovável para o mundo”, afirma o executivo.

A pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Leila Luci Dinardo-Miranda, acredita que o uso de defensivos na cana deverá se ser reduzido ainda mais nos próximos anos. “O controle biológico é uma ferramenta para o manejo integrado de pragas. O que nós do IAC buscamos é implementar um programa amplo, que inclui controles biológico e químico, além de tratos culturais. Tudo isso para manter a sustentabilidade da cultura, fazendo uso racional de produtos agrícolas que provoquem danos ambientais”, explica a especialista.

Atualmente, a maior praga nos canaviais é a Broca-da-cana, uma lagarta que devora a biomassa da planta, resultando em perda de peso e morte de gema. Para combater  a infestação, são utilizados duas espécies de insetos: a Trichogramma galloi e a Cotesia flavipes.

Outra peste presente em quase todas as regiões canavieiras do País é a Cigarrinha-da-raiz, que deposita seus ovos próximo ao colmo da cana, causando reduções no teor de açúcar e na capacidade de moagem. Nos últimos anos, tornou-se relevante no Estado de São Paulo, onde mais de 90% da colheita sucroenergética  é mecanizada. Áreas com cana crua colhida acumulam palha no solo, cuja umidade favorece o aumento o desenvolvimento desta praga. A cigarrinha-da-raiz pode ser controlada pela aplicação de Metarhizium anisopliae, também chamado de fungo-verde.

Segundo dados do Instituto Biológico (IB), são 3 milhões de hectares tratados com Cotesia flavipes e 1,5 milhão de hectares com Metarhizium anisopliae no Brasil. “Para a broca, o uso de vespas é bem eficiente. No caso da cigarrinha, ainda precisamos aprimorar a aplicação de fungos”, avalia a Leila Dinardo-Miranda, do IAC.

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