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Testes com biocombustíveis em jatos da Força Aérea dos EUA

21 de janeiro de 2011

A julgar pelo apetite e velocidade, não seria exagero dizer que em futuro não tão distante, aviões militares vão usar biocombustíveis em escala comercial em vez de querosene à base de petróleo. Na principal potência militar do planeta, os Estados Unidos, a Força Aérea concluiu em janeiro testes de voo com biocombustíveis no supersônico F-15 Eagle, um caça capaz de atingir a velocidade máxima de 2.660 km/h.

“O fato de a Força Aérea dos EUA ter dado continuidade aos testes iniciados no ano passado demonstra a mudança de mentalidade dos militares em relação à diversificação de fontes de energia e ao meio ambiente. Iniciativas como esta representam um grande avanço na redução de gastos com combustíveis fósseis e emissão de gases de efeito estufa (GEE) gerados pelo transporte aéreo,” ressalta o consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc.

Os testes com o F-15 Eagle ocorreram na Base da Força Aérea de Eglin, na Flórida, e faz parte da segunda fase dos testes de solo completados também no início do ano no Centro Arnold de Desenvolvimento de Engenharia, no Tennessee. Outros testes desta natureza já haviam sido realizados em abril de 2010. As iniciativas sustentam a meta da Força Aérea americana de preencher metade de sua cota de combustível para uso doméstico com fontes alternativas até 2016.

O motor testado utiliza uma mistura de combustível produzido a partir da camelina (planta que produz óleo) ao querosene de aviação, desenvolvido pela Pratt & Whitney, empresa especializada na criação, fabricação e manutenção de motores de aeronaves, sistemas de propulsão espacial e turbinas industriais a gás. A companhia faz parte da americana United Technologies, com sede em Connecticut, nos Estados Unidos, que fornece produtos de alta tecnologia e serviços para a indústria aeroespacial global e as indústrias de construção. Em nota, o vice-presidente de programas militares e apoio ao cliente da Pratt & Whitney, Bev Deachin, afirmou que a empresa está  “satisfeita com o desempenho dos motores de uso militar que utilizam combustíveis alternativos durante os testes de solo e de voo”.

Para militares, combustíveis renováveis são representam potência e redução de C02. Este é o segundo motor desenvolvido pela Pratt & Whitney a concluir testes bem-sucedidos com biocombustíveis. O modelo C-17 Globemaster III, alimentado exclusivamente por quatro motores F117, foi testado em agosto de 2010. A empresa informa que outro motor, o F119, deve passar por testes similares em breve.

“Estes testes bem-sucedidos sustentam a meta de nossos clientes da Força Aérea dos EUA de adquirir e utilizar fontes de combustíveis alternativas em sua frota,” completa Deachin.

Voos comerciais

O uso de biocombustíveis já vem sendo testado por empresas de aviação comercial desde 2008, quando a Virgin Atlantic Airways, Air New Zealand e a Continental Airlines realizaram voos experimentais para comprovar sua viabilidade. A companhia aérea japonesa Japan Airlines também fez um voo teste em janeiro de 2009, que utilizou uma mistura de biocombustível feito de flores e algas.

Com exceção da Continental Airlines, todas as outras empresas fazem parte do Grupo de Consumidores de Combustíveis Sustentáveis na Aviação (Sustainable Aviation Fuel Users Group), formado em setembro de 2008. Também fazem parte do grupo as companhias Boeing, AirBus, Alaska Airlines, Embraer, British Airways, GOL, KLM, TAM, Virgin blue, Lufthansa e Avianca, entre outras.

“Além do espaço que os biocombustíveis têm ocupado no cenário militar, estão cada vez mais presentes nos projetos de companhias aéreas comerciais, o que representa tendência no mercado e um importante passo para o setor, que ganha com a exposição, e para o meio ambiente como um todo,” conclui Szwarc.