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The Economist inclui derivados de cana em relatório sobre soluções

27 de fevereiro de 2012

Alternativas sustentáveis e eficientes que atendam à crescente demanda energética mundial nos próximos 38 anos passam pelo etanol e pela bioeletricidade produzidos a partir da cana-de-açúcar, segundo o relatório “Global Energy Conversation – Part II” (Conversas sobre Energia Global, segunda parte). O documento, divulgado no início de fevereiro, é resultado de um evento global do mesmo nome promovido em novembro de 2011 pela The Economist Conferences, braço de eventos da revista The Economist.

O encontro reuniu onze especialistas em energia, incluindo o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, que debateram o futuro energético do planeta ao vivo a partir de Londres, Washington e São Paulo. “Foi um encontro muito oportuno, que contribuiu para que todos compreendam melhor por quê o futuro energético depende de fontes renováveis e reconhecidas mundialmente, como os derivados da cana, que comprovadamente reduzem as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) e os custos com a energia,” avalia Jank.

Segundo o relatório de 29 páginas, o planeta enfrentará dois grandes desafios energéticos nas próximas décadas: aumentar a oferta de energia nos países em desenvolvimento e alcançar esse objetivo com reduções substanciais das emissões de carbono. “O não cumprimento da primeira meta vai restringir o crescimento econômico, enquanto deixar de atingir a segunda exacerbará as mudanças climáticas,” diz o texto de introdução do documento.

Apesar disso, uma pesquisa feita com 790 executivos de negócios pela área de estudos e pesquisas aprofundadas da revista, a Economist Intelligence Unit (EIU), mostra que o processo de “limpeza” na matriz energética mundial será lento, embora 63% dos entrevistados saibam da necessidade de se adotar políticas que resolvam o problema. Para 65% dos entrevistados, os combustíveis fósseis continuarão a ser a principal fonte mundial de energia em 2030. Se confirmada essa perspectiva, o relatório afirma que a tendência “será uma importante fonte de preocupação para aqueles que desejam prevenir ou pelo menos limitar a extensão das alterações climáticas.”

Conferência global

Realizado em 18 de novembro, o encontro foi moderado a partir de Londres por Robin Bew, diretor editorial e economista-chefe da EIU. Ao seu lado em Londres, participaram o assessor-chefe para Assuntos Energéticos da Royal Dutch Shell, Wim Thomas e a diretora executiva do World Energy Council para o Relatório de Avaliação de Políticas Energéticas 2011, Joan MacNaughton.

Em São Paulo (SP), em um estúdio montado pela Economist no Hotel Renaissance, o presidente da UNICA dividiu a bancada com o ex-secretário do Meio Ambiente de SP e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg, o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Allan Kardec Duailibe, e o diretor da Inovah Energia, Paulo Puterman. De Washington, integraram o debate o diretor executivo do Pembina Institute, Ed Whittingham e os presidentes das empresas Opower e Capital E, Alex Laskey e Gregory Kats respectivamente.

O encontro organizado pela publicação britânica faz parte de uma série iniciada em junho do ano passado, quando mais de 1,6 mil pessoas, entre especialistas, acadêmicos, executivos do setor e jornalistas, acompanharam a discussão via internet em 91 países.