5 de junho de 2014

Uma política séria e de longo prazo que considere os benefícios socioambientais e econômicos da indústria da cana, mais especificamente do etanol, para o País. Esses foram os temas centrais defendidos pelos pré-candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) em discursos durante a Cerimônia de Entrega do 5º Prêmio TOP Etanol.

Realizada na segunda-feira (02/06), no Grand Hyatt Hotel em São Paulo, a iniciativa do Projeto AGORA reuniu mais de 750 pessoas, entre empresários, personalidades políticas, jornalistas e acadêmicos. Uma semana antes do evento, os pré-candidatos receberam do Projeto AGORA um documento detalhando prioridades e sugestões para alterar a situação crítica em que se encontra o setor sucroenergético, para subsidiar a elaboração dos discursos que trariam ao evento e expor suas propostas e prioridades caso vençam a eleição presidencial deste ano.

Falando logo no início do evento, o pré-candidato do PSDB censurou a atual conjuntura política, afirmando que ao privilegiar os combustíveis fósseis, o governo vai contra a prática das demais nações, que estimulam a produção e o uso de energias limpas. “Em um governo sério, a indústria canavieira seria vital. Mas o que vemos no Brasil é algo diferente. O setor foi abandonado, prejudicando um dos segmentos mais revolucionários que o País já teve,” falou.

Citando a crise que culminou com o fechamento de mais de 60 unidades produtoras nos últimos sete anos, Aécio Neves elencou objetivos para a cadeia produtiva da cana que perseguiria caso eleito presidente. Segundo ele, o ponto de partida será a criação de um marco regulatório de longo prazo para tentar acabar com as dificuldades atuais enfrentadas pelo setor. O passo seguinte será ampliar a participação do etanol na matriz energética, por meio de uma política ousada para a exportação do produto e estímulos para o desenvolvimento de novas tecnologias.

No quesito “inovação”, Neves defendeu um ganho de eficiência ao utilizar etanol dos motores flex-fuel dentro do Programa Inovauto, e um estímulo maior para a cogeração da bioeletricidade, a energia elétrica extraída dos canaviais.

O pré-candidato Eduardo Campos discursou no encerramento do evento e não deixou por menos. Em suas considerações, também defendeu políticas de longo prazo e mudanças drásticas na forma como o governo trata com a indústria canavieira. Para ele, o próximo presidente tem que parar e pensar sobre o futuro energético do País, e o etanol, que também deveria ser o presente, é o produto certo para garantir uma matriz mais limpa e sustentável.

Campos vê como insustentável a atual posição do governo, que ao controlar os preços da gasolina ao longo de anos, gera grandes perdas para o setor sucroenergético e para a Petrobras. “Não podemos tratar o combustível fóssil da mesma forma que o renovável. É preciso uma reforma tributária imediata. O etanol precisa de uma cobrança de impostos diferenciada, que considere todos os ganhos proporcionados aos brasileiros,” destacou.

Para o pré-candidato do PSB, um ajuste na tributação dos combustíveis de forma vantajosa para o etanol impulsionaria o consumo do biocombustível, algo que contribui significativamente com a saúde pública, principalmente nas grandes áreas urbanas. Se eleito, Campos afirmou que seu governo reconhecerá os benefícios da indústria canavieira e privilegiará uma matriz energética renovável.

A pré-candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e atual presidente da República, Dilma Rousseff, foi convidada, mas informou na noite da quinta-feira anterior ao evento (29/05), através de sua assessoria no Palácio do Planalto, que não compareceria. Na data do TOP Etanol, Dilma recebeu em Brasília a taça do campeonato mundial de futebol, em encontro que teve a presença do presidente da FIFA, Josef Blatter.

Saiba mais sobre a cerimônia do 5º TOP Etanol, clique aqui.

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