30 de junho de 2008


O mercado de açúcar terá uma guinada no ranking de importadores nos próximos anos, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A Rússia perderá o posto de maior comprador mundial do produto para a União Européia e a China, respectivamente. A previsão foi apresentada pelo economista El Mamoun Amrouk, da Divisão de Comércio e Mercados, da FAO, durante a décima-primeira Conferência Européia de Açúcar, organizada pela F.O.Licht, nos dias 18 e 19 de junho, em Bruxelas.


Amrouk apresentou dados preliminares de um estudo com previsões até o ano de 2017, que revelam ainda que a participação dos países em desenvolvimento no percentual mundial de áreas cultivadas com cana-de-açúcar crescerá de 4% para 9%. “Os participantes da conferência foram unânimes ao considerar que os preços e os estoques mundiais do açúcar serão determinados pela oferta dos produtores brasileiros”, constatou a assessora internacional da UNICA, Géraldine Kutas.


A executiva apresentou durante o evento a palestra “Brazilian Ethanol and Sugar: Endless Growth”, sobre o crescimento da produção de etanol e açúcar pelo setor sucroalcooleiro do Brasil. Géraldine levou dados atualizados da previsão da safra 2008/09 e estudos com perspectivas de produção e consumo de etanol no Brasil e no mercado externo.


Quanto ao mercado mundial de etanol, de acordo com Géraldine, a expectativa dominante é de que sua evolução depende, basicamente, das políticas comerciais a serem adotas pelos países desenvolvidos, que representam os maiores mercados, como Estados Unidos e União Européia.


“Infelizmente, as discussões atuais na OMC, na Rodada Doha, não dão boas perspectivas, já que a tarifas dos EUA é secundária, ou seja, não será reduzida em Doha”, afirmou Géraldine. “A União Européia, por sua vez, está tentando colocar o etanol na lista dos produtos sensíveis, o que deve levar a um corte pequeno nas tarifas, embora ainda nada esteja decidido”, completou.


Géraldine Kutas participou do evento dentro do escopo do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro deste ano, parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.

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