29 de setembro de 2015

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), o anúncio da Intended Nationally Determined Contributions (INDC) feito pela presidente da República, Dilma Rousseff, foi positivo, embora ainda seja necessária certa cautela ao se analisar em detalhes as metas estabelecidas para os derivados de cana, e cujos números ainda não foram integralmente divulgados pelo Governo. De um modo geral, além de apresentar objetivos relevantes na redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) nos próximos 15 anos, a proposta brasileira de combate às mudanças climáticas apresentada no domingo (27/09), em Nova York, também reafirma a importância estratégica do etanol e da bioeletricidade para a descarbonização da matriz energética nacional.

No que diz respeito exclusivamente ao setor sucroenergético, a INDC brasileira, que será apresentada na 21ª Conferência do Clima (COP 21) em dezembro deste ano, prevê, até 2030, a participação de 18% de biocombustíveis sustentáveis, incluindo o etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar, no total da matriz energética, além de um aumento de 10% para 23% no uso de energia renováveis (solar, eólica e biomassa) exclusivamente na matriz elétrica. Vale lembrar que, na realidade, as metas anunciadas pelo Governo praticamente mantêm a participação que o etanol e a bioeletrecidade já têm hoje na matriz energética, que se aproxima de 17%. Segundo a INDC brasileira, o País terá de cortar 37% das emissões domésticas de GEEs até 2025 – com base nos níveis de 2005 -, com reais possibilidade de ampliar esta redução para 43% até 2030.

Na opinião da presidente da UNICA, Elizabeth Farina, embora a INDC tenha contemplado a biomassa da cana, ainda não se pode afirmar se essas metas atendem às expectativas futuras do setor, tanto para o etanol quanto para a bioeletricidade. “De forma geral, a avaliação das metas é positiva, mas dependendo das estimativas de crescimento por energia, será necessário um esforço de investimento considerável. Sendo assim, é fundamental o diálogo e a interação do governo com o setor produtivo e a sociedade para definir mecanismos de implementação destas metas”, afirma Farina.

Outros objetivos anunciados no INDC para redução das emissões brasileiras são: o desmatamento ilegal zero no bioma amazônico; restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares; recompor um adicional de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; e alcançar 5 milhões de hectares de sistemas de integracão lavoura-pecuária-floresta.

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