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UNICA aplaude comentários pró-etanol brasileiro do presidente do Fed, Ben Bernanke

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28 de fevereiro de 2008

Para a UNICA, os comentários favorecendo uma redução na tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro, feitos hoje (28/02/2008) pelo presidente do FED em Washington, Ben Bernanke, representam uma postura extremamente positiva que vai muito além de questões puramente econômicas (clique aqui para ler).


 


Na opinião da UNICA, a sugestão de Bernanke é a favor da energia limpa e renovável, apóia a luta contra o aquecimento global e desafia a lógica distorcida que prevalece mundialmente, que taxa os biocombustíveis ao mesmo tempo que permite o livre trânsito dos combustíveis fósseis, sem barreiras comerciais ou de qualquer natureza.


 


Para o presidente da UNICA, Marcos Jank, este seria o tipo de medida que, se adotada, serviria de exemplo para que outros países e regiões do mundo assumam compromissos concretos com os biocombustíveis, para que o setor possa se desenvolver mundialmente de forma ordenada, produtiva, e com o essencial equilíbrio pela produção de alimentos e de combustível.


 


O Brasil é pioneiro mundial na produção e utilização em massa do etanol como combustível automotivo, opção introduzida inicialmente na década de 70 após a primeira crise do petróleo. O País é hoje o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás dos Estados Unidos, e os automóveis Flex são um sucesso reconhecido mundialmente, respondendo por quase 90% das vendas de veículos comerciais leves.


 


Consumo de etanol passa o da gasolina


 


Em fevereiro, o etanol superou, em termos de volume, o consumo de gasolina no Brasil. Dos vários tipos de etanol produzidos no mundo, o brasileiro, de cana-de-açúcar, é também o que oferece o melhor custo-benefício e o melhor balanço energético. Para cada unidade de combustível fóssil consumida na produção do etanol de cana, nove unidades de energia renovável são geradas.


 


Ben Bernanke fez seus comentários ao participar de reunião do Comitê Bancário do Senado americano. Ele afirmou que permitir a entrada do etanol brasileiro de cana nos EUA sem a cobrança de tarifas, reduziria custos nos Estados Unidos. Seus comentários surgiram em um diálogo com o senador Wayne Allard (Republicano-Colorado), que perguntou sobre benefícios de uma eventual redução de tarifas para conter a inflação causada por preços de alimentos em alta nos EUA. Ironicamente, há poucas semanas o senador Charles Grassley (Republicano-Iowa) tentou, sem sucesso, ampliar a tarifa de importação sobre o etanol para além de 2009, durante negociações de um pacote de estímulo econômico.


 


Bernanke admitiu que é difícil fixar até que ponto a demanda por etanol de milho está influenciando o preço dos alimentos nos Estados Unidos, mas ponderou que ?uma parcela significativa do milho produzido no país está sendo direcionada para o etanol, e isso aumenta os preços do milho.? Bernanke acrescentou que algumas áreas plantadas com soja também foram transferidas para o cultivo do milho, o que provavelmente tem algum efeito sobre os preços da soja. Como comparação, toda a produção brasileira de etanol depende da utilização de apenas 1% das terras aráveis disponíveis no País.


A maior parte do etanol produzido nos EUA vem do milho, e a produção doméstica do país é protegida por uma sobretaxa de 54 centavos de dólar por galão sobre o etanol brasileiro. Os produtores americanos de milho também são beneficiados por fortes subsídios governamentais, enquanto não há subsídios para a produção de cana no Brasil.



O setor sucroalcooleiro brasileiro está pronto para ampliar o fornecimento de etanol, sem qualquer risco de expansão da produção de cana para regiões sensíveis do País ou prejuízo para o mercado interno. O Brasil também pode fornecer tecnologia, para que mais países adotem esta opção que evidentemente é viável e limpa. Todos nós ganharíamos muito se os cerca de 100 países que produzem cana no planeta fornecessem combustíveis para o resto do mundo, ao invés de dependermos de apenas 20 países que controlam os estoques de petróleo, concluiu Jank.