14 de junho de 2010

Investimentos do setor sucroenergético brasileiro para ampliar ainda mais o potencial de mitigação de emissões de gases causadores do efeito estufa fazem parte da estratégia das empresas do setor, e continuarão acontecendo independentemente das negociações internacionais sobre as mudanças climáticas. Essa visão foi levada pelo assessor de meio-ambiente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Luiz Fernando Amaral, a Bonn, na Alemanha, onde foi realizada entre 31 de maio e 11 de junho a reunião preparatória para a 16a Conferência do Clima (COP 16) da Organização das Nações Unidas, marcada para Cancun, no México, em dezembro deste ano.

“Um acordo internacional inteligente e transparente ajudaria a definir tendências de longo prazo, podendo inclusive incentivar ainda mais investimentos do setor privado e não apenas do setor sucroenergético, mas o fato é que hoje esse tipo de investimento já está na agenda do setor,” comentou Amaral. Durante o encontro de Bonn, a UNICA realizou o evento paralelo Copenhagen´s disappointing results: impacts on the development of Green Technologies (Resultados decepcionantes de Copenhague: impactos para o desenvolvimento de tecnologias verdes), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Fundação das Nações Unidas, o Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD, na sigla em inglês), a empresa especializada no desenvolvimento de enzimas Novozymes e o governo brasileiro.

Os participantes da mesa concordaram que a falta de um acordo na COP 15, em Copenhague, ainda não impactou os investimentos em inovação e tecnologia, mas concluiram que está claro que regras internacionais sobre as mudanças climáticas são essenciais no curto prazo. “A posição do governo brasileiro não é discutir o regime futuro do clima, mas o futuro do regime atual do clima, estabelecido pelo protocolo de Kyoto. Do contrário, podemos terminar com uma ‘falta de regime’”, avaliou José Domingos Gonzalez Miguez , Ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil.

Na opinião de Justin Perrettson, conselheiro sênior para assuntos corporativos oficiais e relações públicas da Novozymes, os biocombustíveis e a bioenergia são exemplos do que vem sendo feito para reduzir as emissões de CO2. “O açúcar é o novo petróleo. Com a ajuda da tecnologia, ele se transforma em diversos tipos de produtos, não somente em energia mas também plásticos e hidrocarbonetos, todos com um impacto importante para a mitigação de CO2”, afirmou.

Depois da COP15 em Compenhague, o encontro em Bonn foi o primeiro encontro efetivo para negociações sobre as questões climáticas. O principal objetivo das negociações conduzidas pela Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) é chegar a um novo texto para o perído após 2012, quando o ainda vigente Protocolo de Kyoto já terá expirado.

“A presença da UNICA na rodada de Bonn mostra que o setor sucroenergético brasileiro continua fortemente comprometido com o desenvolvimento de uma política mundial sólida que promova, efetivamente, o combate às mudanças climáticas,” concluiu Amaral.

A participação da UNICA no evento acontece como parte do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro de 2008. Trata-se de uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.

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