12 de setembro de 2016

Com a homologação do Acordo de Paris pelo presidente Michel Temer, o Brasil dá um passo crucial rumo à chamada economia de baixo carbono
Ministro José Serra (em pé) exalta qualidades do etanol brasileiro na luta contra o aquecimento do planetaPara a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), presente na cerimônia de assinatura do documento, realizada na manhã da segunda-feira (12/09), no Palácio do Planalto, trata-se de um fato histórico para o País, que finalmente transformou intenções em compromissos legais.

O diretor Executivo da UNICA, Eduardo Leão de Sousa, lembra que a proposta brasileira de combate às mudanças climáticas foi uma das mais arrojadas, justamente pelo enorme potencial que o País apresenta em relação às fontes energéticas não poluentes.

“Com a aprovação final do Acordo, estamos mostrando à sociedade brasileira e ao mundo que podemos ser protagonistas neste processo de transição para um desenvolvimento sustentável. De agora em diante, temos que fazer a lição de casa e elaborar um plano ambicioso para a efetiva implantação das metas previstas para 2030. Para que isto ocorra, os investimentos precisam ser iniciados o quanto antes”, avalia Eduardo Leão.

O Acordo de Paris, celebrado na capital francesa em 12 de dezembro de 2015 e posteriormente assinado em Nova York, no dia 22 de abril deste ano, tem o objetivo de limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, determina metas individuais de cada país para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O Acordo só entrará em vigor depois que 55 países, que juntos representem o total de 55% das emissões globais apresentarem seus instrumentos de ratificação.

No caso do Brasil, a proposta é reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025 e de 43% até 2030 (com base nos níveis de 2005). Tais metas incluem a maior participação de fontes renováveis na matriz energética, tais como a energia elétrica gerada a partir da biomassa, com previsão de crescimento de mais de 300% em relação a 2014, e do etanol, cujo consumo estimado no País passará dos atuais 28 bilhões de litros por ano para mais de 50 bilhões em 2030.

Aspas para o etanol

Durante evento de hoje no Palácio do Planalto, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ressaltou “o papel fundamental dos biocombustíveis, especialmente do etanol de cana, para garantir o cumprimento das metas do plano brasileiro de combate às mudanças climáticas.”

Na mesma linha, o atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, também alertou sobre os benefícios econômicos e socioambientais do biocombustível sucroenergético, defendendo que “o etanol deve tornar-se uma commodity global, sendo produzido no mundo todo.”

Também presente no evento, o ex-deputado e atual diretor executivo do Centro Brasil no Clima (CBC), Alfredo Sirkis, criticou o subsídio à gasolina em detrimento de medidas de apoio ao etanol no Brasil. De acordo com o especialista, o País deixou de investir em programas para estimular e tornar mais competitivo o etanol, como o Proálcool, por exemplo.

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