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UNICA defende criação de mercado doméstico de carbono

7 de agosto de 2009

Os benefícios da criação de um mercado doméstico de carbono no Brasil foram o principal tema de um encontro realizado em Washington entre o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, e líderes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) americanas envolvidos no debate sobre Mudança Climática.  Um relatório que detalha os resultados do encontro, realizado em março, foi divulgado no final de julho pelos organizadores do evento – o Brazil Institute e o Environmental Change and Security Program, ambos sediados no Woodrow Wilson International Center for Scholars, na capital americana.

Na apresentação que fez na abertura do encontro de duas horas, Jank destacou a conexão entre a criação de um mercado de carbono e o controle do desmatamento na Amazônia, além de inúmeros outros benefícios que a criação desse mercado traria.  “Permitirá que o setor sucroenergético brasileiro comercialize mais um bioproduto da cana-de-açúcar – sua habilidade de capturar carbono”, afirmou o presidente da UNICA. “Além disso, possibilitará que o controle do desmatamento na Amazônia sirva como uma fonte de créditos de carbono para o País”.

Para implementar um mercado doméstico de carbono no Brasil, Jank argumentou que a sociedade civil terá um papel fundamental. “A pressão é essencial para equilibrar as diferentes opiniões entre o Ministério de Relações Exteriores, que faz reservas à idéia, e o Ministério de Meio Ambiente, que é mais favorável, e diferentes posições de setores do agronegócio, da indústria e da sociedade civil”, avaliou.  Segundo ele, o próximo passo é promover uma maior compreensão sobre o assunto, que é complexo, organizando mais diálogos e conferências a respeito no Brasil, a exemplo da que ocorreu em Washington.

Agenda Bilateral

Segundo o diretor do Brazil Institute, Paulo Sotero, mudança climática e os biocombustíveis estão e vão permanecer no centro das relações Brasil-EUA, pois fazem parte das agendas bilateral, regional e global de ambos. Em dezembro próximo, os governos Lula e Obama terão participação central da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Copenhague, convocada para negociar um acordo internacional que sucederá o Protocolo de Kyoto, de 1997.

Sotero acrescenta que faz parte do trabalho do Brazil Institute facilitar o diálogo entre os diferentes atores e a compreensão tanto das virtudes e dos desafios do setor sucroenergético brasileiro como das preocupações que as comunidades ambientais têm em relação ao setor. “O objetivo do Wilson Center é promover o diálogo sobre a qualidade das políticas públicas em diversos países. A cooperação na área de biocombustíveis é parte da agenda bilateral dos governos do Brasil e dos EUA desde 2007 e acreditamos ser essencial aprofundar e ampliar esse diálogo entre os dois países, pois eles respondem por perto de 80% da produção de etanol do planeta e são, ambos, declaradamente favoráveis à produção e uso de energia voltada para a sustentabilidade”, afirmou.

Também participaram do encontro, entre outros, Barbara Bramble, da National Wildlife Federation; Jay Caldwell, Center for American Progress; Jason Clay, World Wildlife Fund; Clifford Duke, Science Programs at the Ecological Society of Americas; Dave Hamilton, Global Warming & Energy Programs at the Sierra Club; Jim Harkness, Institute for Agriculture and Trade Policy; o diretor do Environmental Change and Security Program do Woodrow Wilson Center, Geoff Dabelko; e o representante-chefe da UNICA para a América do Norte, Joel Velasco, entre outros.