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UNICA defende método unificado para o cálculo das mudanças indiretas no uso da terra

26 de maio de 2009


Uma metodologia globalmente aceita para calcular as potenciais emissões de gases de efeito estufa causadas pelas mudanças indiretas no uso da terra ainda deve ser desenvolvida. A afirmação foi feita pelo representante-chefe da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na União Européia, Emmanuel Desplechin, durante workshop sobre bioenergia da Agência Internacional de Energia (International Energy Agency – IEA), realizado na terça-feira (12/05/09), em Rotterdam, na Holanda.


No evento, Desplechin questionou a pertinência de se incluir um único número fornecido pelos Modelos de Equilíbrio Geral (Computable General Equilibrium – CGE) para o esboço de legislações, já que esses modelos apresentam muitas limitações, como uma grande sensibilidade as hipóteses nas quais o modelo é baseado. “Qual seria a melhor resposta regulatória para lidar com esse complexo fenômeno, se suas magnitudes e implicações ainda são desconhecidas?”, perguntou Desplechin durante sua apresentação “Mudanças indiretas no uso da terra no setor de bioenergia – Uma visão brasileira”.


Em Rotterdam, o representante da UNICA afirmou que todos os cálculos de emissões de carbono, causadas pelas mudanças indiretas no uso da terra, devem ser baseados em trabalhos científicos confiáveis e internacionalmente reconhecidos. Neste caso, uma cooperação internacional, envolvendo pesquisadores e cientistas dos países onde matérias primas para biocombustíveis são produzidas, é absolutamente indispensável.


“Os efeitos negativos das mudanças indiretas no uso da terra só podem ser evitados por meio da implementação de políticas públicas adequadas, portanto, a UNICA pede aos reguladores que colaborem em nível global, para desenvolver uma abordagem consistente e que combata o desmatamento” afirmou Desplechin. “O uso de biocombustíveis com altas reduções de gases de efeito estufa, e alta produtividade deve ser promovido como uma forma de minimizar qualquer impacto negativo proveniente das mudanças indiretas no uso da terra.”


Medidas referentes às mudanças indiretas no uso da terra estão sendo introduzidas em grandes iniciativas regulatórias, como o Padrão de Combustível de Baixa Emissão de Carbono (ou LCFS) do Conselho de Qualidade do Ar do Estado americano da Califórnia (CARB) e as novas regras da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency – EPA), para implementação do mandato federal americano. 

A Diretiva Européia para a promoção das energias renováveis também requer que a Comissão Européia analise “o cálculo das mudanças indiretas no uso da terra em relação a todos as maneiras de produção”, e que apresente até o fim de 2010 “um relatório revisando seus impactos e indicando maneiras de minimizá-los”.


A participação da UNICA no evento aconteceu dentro do escopo do projeto Apex-Brasil/UNICA, iniciado em janeiro deste ano, parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo do projeto Apex-Brasil/UNICA é promover a imagem do etanol brasileiro de cana-de-açúcar como energia limpa e renovável ao redor do mundo.