18 de dezembro de 2013

O etanol à base de cana produzido no Brasil pode complementar a produção da União Europeia e ajudar seus Estados-Membros a atingir objetivos de redução de impactos ambientais e mudanças no clima. Infelizmente, as altas tarifas de importação e novos critérios em discussão para revisão das Diretivas Europeias de promoção das energias renováveis, que visam limitar o uso de biocombustíveis derivados de produtos agrícolas, podem excluir o etanol que apresenta um ótimo desempenho e privar a União Europeia de produtos sustentáveis e inovadores.

Com essa manifestação, a assessora sênior da Presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) pra Assuntos Internacionais, Géraldine Kutas, chamou a atenção dos 30 participantes do almoço-debate “O etanol de cana: uma solução viável para um transporte limpo e sustentável na Europa,”  realizado no Parlamento Europeu no dia 27/11. O encontro foi organizado pela Raízen, em Bruxelas, com a presença especial da deputada europeia pela Dinamarca, Britta Thomsen.

“Os biocombustíveis produzidos a partir da cana podem ser parte de um caminho sustentável, principalmente no que se refere a transportes menos poluentes do setor rodoviário e uma opção aos combustíveis fósseis,” disse a deputada. Já o diretor executivo para Mercados Internacionais da Raízen, Luiz Osorio, lembrou do sucesso do Brasil em reduzir as emissões de CO2 provenientes dos transportes por meio da introdução de veículos flex no mercado.

“Em apenas 10 anos, no Brasil, 190 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas devido ao uso do etanol nos carros flex e também com a mistura do biocombustível na gasolina. A Europa deve incentivar o uso de etanol de cana no transporte e no aumento da mistura na gasolina, alcançando assim um mix de energia mais verde,” explicou Osorio.

Kutas destacou que as importações de etanol do Brasil têm diminuído drasticamente, especificamente durante os últimos três anos. Ela sinaliza que a situação atual é preocupante, já que mesmo tendo credenciais ambientais positivas e sendo classificado como um biocombustível avançado pela EPA, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, o etanol brasileiro de cana ainda enfrenta barreiras na Europa como tarifas de importação elevadas e incertezas quanto às normas ambientais que podem discriminar as importações.

“Uma legislação justa e estável, que premia cada tipo de biocombustível de acordo com seus méritos ambientais e um mercado mais aberto são essenciais para impulsionar os biocombustíveis como opção viável na pesquisa de combustíveis de transporte,” concluiu a assessora da UNICA.

Também participaram do evento o CEO do Bonsucro, Nick Goodall e o consultor sênior Técnico de Transporte e Logística Sustentável da organização voltada para pesquisas TNO Innovation for Life, Ruud Verbeek.

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