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Governo deve reduzir custos de produção do setor sucroenergético

26 de maio de 2011

Os problemas ocorridos na última entressafra da cana-de-açúcar só serão resolvidos com novos investimentos e políticas públicas urgentes por parte do Governo Federal. A cobrança foi levada pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, à audiência pública realizada pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta-feira (25/05).

“Neste momento, temos uma situação em que o preço está abaixo do custo. Não existem novos projetos de expansão da capacidade de produção porque não há rentabilidade,” afirmou Jank ao explicar que até 2020, o País precisa de 150 novas usinas para suprir um déficit que, até lá, poderá chegar a 400 milhões de toneladas de cana. O déficit, explicou Jank, ocorre em função da diferença entre a oferta de etanol no mercado interno e a demanda que explodiu nos últimos anos, fruto da redução dos investimentos pra expandir a produção e das vendas recorde de automóveis flex.

“Para conseguirmos acertar esta situação seriam necessários investimentos da ordem de R$ 80 bilhões nos próximos 10 anos,” explicou o dirigente da UNICA. Jank reforçou o discurso que tem feito há alguns meses, de que são necessárias políticas públicas para o setor, como por exemplo a redução da carga tributária que incide sobre o etanol. Além disso, estímulos à pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a eficiência na produção também são essenciais, afirmou.

Planejamento estratégico

Jank explicou que a atual safra requer um planejamento maior de todo o setor, pois o que se desenha é uma entressafra mais longa. Ao se referir à possibilidade de que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocumbustíveis (ANP) exija a compra antecipada do etanol anidro das usinas para garantir o abastecimento na entressafra, Jank afirmou que “o problema tende a ser minimizado” com a medida. Segundo ele, isto estimularia que os postos de bandeira branca se adiantassem para comprar o produto que será comercializado durante esse período, o que resultaria em uma demanda de etanol com maior grau de previsibilidade.

O presidente da UNICA abordou também o crédito para viabilizar os estoques de etanol hidratado, a chamada “warrantagem”, outra medida importante para minimizar problemas durante a entressafra. Segundo ele, isto impediria que as empresas vendam a maior parte do produto no início da safra, quando os preços estão mais elevados. “Para isso, a oferta e demanda precisam ser planejadas,” concluiu.