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A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) lança, na próxima semana, em Madrid, durante a 25ª Conferência das Partes sobre a Mudança do Clima (COP 25), a campanha “Bring Back My Blue Sky”. O objetivo é mostrar os resultados positivos do uso do etanol no Brasil, especialmente para a qualidade do ar nos grandes centros urbanos, a exemplo do estado de São Paulo. A participação da UNICA faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“São Paulo teve no passado, sobretudo pelo uso de combustíveis fósseis, o céu azul apagado do seu horizonte, substituído por nuvens de fumaça que além de deixar a cidade mais sombria, trazia prejuízos sociais e econômicos graves. O etanol ajudou a trazer o céu azul de volta para São Paulo e para as grandes metrópoles brasileiras. Vamos apresentar o etanol para o mundo e, com isso, contribuir para que as pessoas mundo afora também possam dizer “Bring Back My Blue Sky”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.

POLUIÇÃO NO MUNDO

Estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que a poluição atmosférica provoca cerca de sete milhões de mortes, todos os anos, no mundo inteiro. De acordo com a organização, nove a cada dez pessoas no mundo respiram ar poluído.

De acordo com os relatórios, a poluição causa 24% de todas as mortes de adultos por doença cardíaca, 25% das mortes por acidente vascular cerebral (AVC), 43% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e 29% das mortes por câncer de pulmão.

A maior parte das mortes atribuídas à poluição do ar, tem ocorrido no leste da Ásia e no Pacífico (40%) e regiões do sul da Ásia (33%), segundo levantamento do Banco Mundial, intitulado The Cost of Air Pollution.

EM SÃO PAULO…

A Região Metropolitana de São Paulo passou, nos últimos anos, por uma grande mudança nos índices de poluição e qualidade do ar. Dados da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) mostram uma redução de quase metade das micropartículas inaláveis, que são finas o suficiente para entrar no trato respiratório e provocar problemas de saúde.

Na média anual, o índice passou de 54 microgramas por metro cúbico em 2000, para 29 microgramas por metro cúbico em 2018. A Cetesb destaca ainda que no ano passado, 89,9% das medições realizadas nas 29 estações apresentaram índices bom para a qualidade do ar.

“Abastecer com etanol faz toda a diferença. O que muda, por exemplo, no caso da Região Metropolitana de São Paulo, é o padrão de emissões de micropartículas inaláveis. Essa diferença nos aproxima muito do padrão da Organização Mundial da Saúde, que é de 20 microgramas”, ressalta a diretora-presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias.

MATRIZ ENERGÉTICA

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil tem a matriz energética mais limpa entre os grandes consumidores globais, com a maior participação de energias renováveis.

Pouco mais de 45% da energia produzida no país é renovável. Para se ter uma ideia, esse percentual representa mais que o triplo da média mundial, e a cana-de-açúcar é a principal fonte de energia sustentável do Brasil, responsável por 17,4% da matriz energética nacional.

Em 16 anos, o uso de etanol puro nos tanques dos carros dos brasileiros, mais a mistura obrigatória de 27% do biocombustível à gasolina, transformou o céu do país. Nesse período, 535 milhões de toneladas de CO2 deixaram de emitidos. Esse valor representa as emissões anuais de CO2 da Polônia, ou ainda, equivalente à soma das emissões totais de Argentina, Peru, Equador, Uruguai e Paraguai.

Na semana passada, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a versão 2019 do Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap – Report 2019), que aponta que o Brasil progrediu no setor de energia. De acordo com o documento, entre 2015 e setembro de 2019, o mercado favoreceu as energias renováveis.

O Relatório destaca também que a produção de etanol no Brasil, com o lançamento da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), será ampliada e, com isso “o país provavelmente atenderá às metas mencionadas na NDC brasileira para o setor de transportes”, diz trecho do documento.

DE OLHO NO FUTURO

O presidente da UNICA lembra que os compromissos na área ambiental, assumidos pelo setor nos últimos anos, possibilitaram os avanços observados nos dias de hoje, entre eles, o fim da queima durante a colheita, em 99% da área de cana do estado de São Paulo; a recuperação de 200 mil hectares de áreas ciliares e oito mil nascentes; e a redução significativa do consumo de água no processo industrial.

“Mas passada a fase da sustentabilidade no negócio, veio a sustentabilidade como negócio. E é por isso que nós, a partir do próximo ano, trabalharemos com dois pontos principais: em primeiro lugar, a redução de CO2 e, em um segundo momento, trabalharemos como indutores da remoção de carbono”, revela Evandro Gussi.

Segundo o executivo, o RenovaBio, que entra em vigor no fim deste mês, passará a promover um serviço de descarbonização institucionalizado.

“A usina contará com uma certificação independente de todo o seu processo produtivo. Tudo entra nesse cálculo: quanto foi utilizado de diesel, de adubo, de defensivo, quanto foi emitido no processo industrial, distribuição e, ao final de toda essa avaliação, teremos o resultado de quanto será preciso de etanol para evitar uma tonelada de carbono na atmosfera. Isso agora passa a ser um produto efetivo. Com o RenovaBio, foi dada a largada da eficiência energética”, explica o presidente.

Projeto

A Apex-Brasil e a UNICA tornaram pública em fevereiro de 2008 uma estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados. O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial – governos e meios de comunicação, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.