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UNICA pede que União Européia abra consulta pública de modelo ILUC

23 de abril de 2010

undefinedA questão das emissões ligadas aos Efeitos Indiretos do Uso da Terra (Indirect Land Use Changes – ILUC) não é exclusiva dos biocombustíveis e não pode ser tratada isoladamente da dinâmica mundial de agricultura e de fatores mais amplos que levam ao desmatamento. Esta foi a mensagem levada pelo representante-chefe da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na União Européia, Emmanuel Desplechin, durante a Segunda Conferência Européia do Etanol Combustível (Second European Bioethanol Fuel Conference), que aconteceu em Bruxelas nos dias 15 e 16 de abril.

“Se o objetivo da UE é diminuir ou eliminar suas emissões de CO2, o ILUC deve ser considerado no âmbito global, e não somente em políticas específicas para biocombustíveis,” adicionou o representante da UNICA durante painel dedicado à implementação do ILUC na UE. Desplechin ressaltou que o limite de tempo imposto pela legislação européia não deve impedir que seja dada a devida atenção e consistência científica ao assunto, especialmente devido à complexidade do exercício em andamento para modelar o ILUC.

“Está na hora da Comissão Européia se envolver publicamente com especialistas e cientistas, também dos países em desenvolvimento, na revisão do modelo de trabalho, para assegurar a precisão de suposições e dados assim como a consistência científica, condições indispensáveis para qualquer consideração política,” declarou Desplechin.

Considerando o âmbito global

O representante da UNICA lembrou aos participantes da conferência que o debate sobre ILUC consiste em proteger habitats ricos em carbono, e que esta questão só pode ser resolvida por meio de políticas globais. Desplechin recomendou que os formadores de políticas públicas colaborem em nível global, para desenvolver e implementar políticas consistentes, que acabem com o desmatamento e protejam grandes áreas de estoque de carbono.

“Precisamos de um acordo multilateral sobre desmatamento e não de modelos de ILUC para biocombustíveis sem embasamento científico. Caso contrário, corremos o risco de eliminar uma solução válida para a redução das emissões no setor de transporte, enquanto ainda teremos a mesma quantidade de CO2 liberada na atmosfera por causa da contínua perda de habitats ricos em carbono,” enfatizou.

Desplechin ressaltou as iniciativas brasileiras na redução do desmatamento, graças a políticas ambiciosas e ao envolvimento da sociedade civil e do setor privado. “Esforços realizados em países como o Brasil, para reduzir significativamente o desmatamento, preservam e aumentam os habitats ricos em carbono e devem ser reconhecidos e gratificados,” concluiu.

Também participaram do debate o integrante da Direção Geral da Comissão Européia para Energia e Transporte, Paul Hodson; o membro do Parlamento Europeu Bas Eickhout; e o presidente da empresa inglesa de etanol Ensus, Alwyn Hughes.