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UNICA reafirma potencial dos biocombustíveis na redução de emissões

8 de dezembro de 2015

“Estamos na segunda semana de reuniões da COP21 e muito pouco tem sido falado sobre biocombustíveis, mesmo considerando o fato de mais de 30 países, incluindo o Brasil, inseriram os combustíveis renováveis como um dos meios de se atingir as metas de redução de gases de efeito estufa (GEEs) propostas em suas INDCs”. Este foi o ponto inicial do discurso feito no domingo (06/12) pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, em um painel sobre biocombustíveis do World Climate Summit (WCS), evento organizado pela Aliança Global de Combustíveis Renováveis (GRFA) em paralelo à Conferência do Clima, e que reuniu governos, empresas e entidades civis no Palácio Broingnart, em Paris. Desde 2010, o WCS realiza importantes fóruns de negócios e política na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês).
No painel “Building a sustainable bioeconomy: harnessing the potential of bio-based products and fuels to mitigate climate change”, organizado por quatro entidades ligadas ao GRFA – UNICA, RFA, ePURE e CRFA – em parceria com a Associação de Biotecnologia Industrial (BIO), e que teve as presenças do líder Global de Bioenergia da União Europeia, Gerard Ostheimer, e do diretor de Etanol Celulósico da DuPont, Jeroen Van Campenm, a executiva da UNICA apresentou argumentos e dados que consolidam a posição dos biocombustíveis, em especial o etanol, como uma das alternativas mais viáveis na luta pela diminuição da dependência dos combustíveis fósseis (gasolina/ diesel), com foco no setor de transportes.

“Quase 1/3 das emissões globais de GEEs é proveniente dos transportes. Por isso, descarbonizar este segmento é prioridade. E os biocombustíveis devem ser integrados a esta estratégia. O etanol de cana, por exemplo, pode reduzir estas emissões em até 90% quando comparado à gasolina.”, observou a executiva da UNICA, cuja participação na COP21 só foi possível graças a uma parceria estabelecida desde 2008 com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover a imagem do biocombustível brasileiro como energia limpa e renovável no exterior.

Ressaltando um caso positivo de substituição de fontes poluidoras por renováveis na indústria automotiva, Farina lembrou que no Brasil, além da mistura de 27% de etanol anidro à gasolina, quase 70% da frota de veículos leves, correspondente a 25 milhões de carros, é composta por automóveis flex, que podem ser abastecidos com gasolina, etanol ou qualquer mistura de ambos em qualquer proporção. “Atualmente, 20 montadoras internacionais, como as alemãs Audi e BMW, as americanas Ford e GM, as francesas Peugeot e Renault, e as asiáticas Toyota, Hyundai e JAC, oferecem mais de 200 modelos de veículos flex ao mercado brasileiro. Em 2015, o etanol já substitui 40% do consumo de gasolina no País”, afirmou.

Etanol na matriz energética mundial

Na última década, a produção mundial de etanol, que pode ser feito de diferentes insumos, como milho, cana e beterraba, aumentou em mais de três vezes, atingindo quase 100 bilhões de litros em 2014. Este volume, produzido em mais de 50 países, já representa aproximadamente 7% do total de consumo da gasolina no mundo. Crescimento que resultou em uma mitigação de mais de 100 milhões de toneladas de CO2 no ano passado.

Para respaldar seus argumentos em favor da expansão da produção sustentável dos combustíveis renováveis, Elizabeth Farina citou um estudo recém-lançado pela Squared Consultants, que avalia o impacto gerado por uma eventual mistura de  15% de etanol à gasolina nos principais países consumidores. Segundo o documento, este mix poderia aumentar a atual redução de emissões em mais de 70% até 2030, ou seja, um corte anual de mais de 280 milhões de toneladas de GEEs.

Considerando este cenário em que a produção anual de biocombustíveis deve atingir 160 bilhões de litros, surge uma dúvida: “Isto poderia trazer algum prejuízo relacionado ao uso da terra no mundo?” Segundo a presidente da UNICA, “definitivamente não”. Esta produção aconteceria principalmente em regiões tropicais, utilizando prioritariamente a cana-de-açúcar como matéria-prima (em uma proporção hipotética de 70% cana e 30% milho). Estima-se, desta forma, uma área adicional de 10 milhões de hectares, que de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) representam apenas 0.2% do total da área utilizada pera agricultura e pastagens. Ou seja, um percentual equivalente a 5 bilhões de hectares ou 0.5% do total de terras degradadas ou abandonadas pelo mundo, que poderiam ser recuperadas e utilizadas para a produção agrícola, totalizando 2 bilhões de hectares.

Antes de encerrar o seu discurso no WCS,  a representante da UNICA enfatizou que a indústria global de biocombustíveis só continuará florescendo se os governos renovarem seus compromissos assumidos na COP21 por meio de suas INDCs. “Com o propósito de entregar volumes cada vez maiores de combustíveis de baixo carbono, nossas cadeias produtivas precisam de medidas regulatórias estáveis. Precisamos assegurar que as políticas adotadas no âmbito legislativo sejam apropriadas. As existentes são antagônicas e os órgãos regulatórios devem se esforçar para implementar projetos que permaneçam alinhados com o espírito e intenção original desses programas”, concluiu.