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Açúcar brasileiro contribui para segurança alimentar na China

18 de setembro de 2012

Os canaviais brasileiros podem ajudar ainda mais a garantir boa parte do abastecimento de açúcar na China, país que em quatro anos multiplicou em 28 vezes o volume do produto importado do Brasil, e cujo consumo só tende a aumentar em função do crescimento demográfico e da elevação na qualidade de vida da população. A assessora senior da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para Assuntos Internacionais, Geraldine Kutas, ressaltou as oportunidades comerciais para o setor sucroenergético brasileiro no mercado chinês durante participação na conferência Agricultural Futures (white sugar) Forum  2012 (ZAFF), realizada na primeira quinzena de setembro (06/09) pela bolsa de mercadorias chinesa Zhengzhou Commodity Exchange (ZCE), que reuniu mais de 500 pessoas na cidade de Zhengzhou, localizada no Centro-Oeste da China.

Em sua apresentação, a representante da UNICA expôs um histórico das exportações do açúcar brasileiro para o país asiático, revelando um enorme potencial de negócio no mercado chinês. “Em 2008 a China importou 1,09 milhão de toneladas de açúcar, sendo um pouco mais de 75 mil toneladas vindas do Brasil. Quatro anos depois, os chineses compraram 4,27 milhões de toneladas no mercado externo, das quais 2,13 milhões de toneladas foram adquiridas no Brasil,” observou Kutas. Atualmente, a China é o segundo maior cliente do produto produzido pelos brasileiros, absorvendo 8% do volume exportado pelo País em 2011.

Além da participação de Kutas, o evento também teve apresentações de especialistas renomados no mercado mundial de açúcar, entre eles o economista-chefe do Banco da China, Cao Yuanzheng, e o executivo-chefe da consultoria Kingsman, Jonathan Kingsman. O diretor de Negócios da empresa organizadora do encontro, Zuo Hongliang, contou um pouco sobre a experiência da companhia na compra e venda de açúcar na China, país onde a empresa negociou 5,4 bilhões de reais na comercialização do produto em 2010.

Após conhecer números atualizados sobre a indústria açucareira no Brasil, que deverá fabricar mais de 33 mil toneladas do produto na safra 2012/2013, um aumento de 5,72% em relação ao verificado no período 2011/2012, o público também discutiu a situação do açúcar em outros países, como a Índia, segunda maior produtora mundial de cana-de-açúcar depois do Brasil. O co-fundador da multinacional de origem indiana Shree Renuka, Narendra Murkumbi, cuja empresa é considerada uma das mais importantes no segmento sucroenergético mundial, com duas filiais em operação no Brasil, marcou presença no debate. O executivo esteve no Brasil em 2011 para participar da terceira edição do Ethanol Summit, conferência global sobre energias renováveis que já tem sua quarta edição confirmada para os dias 24 e 25 de junho de 2013 em São Paulo (SP).

Por um futuro doce

Compilando dados fornecidos pela consultoria F.O.Licht e pela Secretaria de Comércio Superior (Secex), estimativas da UNICA indicam que até o início da próxima década o Brasil exportará 13,7 milhões de toneladas de açúcar, número que em 2011 foi de 11 milhões de toneladas. Segundo a assessora para Assuntos Internacionais da UNICA, para que o Brasil mantenha a hegemonia no mercado internacional nos próximos dez anos – o País atualmente é responsável por 25% da produção e 50% das exportações mundiais de açúcar – serão necessários investimentos pesados para ampliar a produção do produto em 15,7 milhões de toneladas anuais.

“Até 2020 a produção de cana no País tem que dobrar, atingindo cerca de 1,2 bilhão de toneladas por ano. Isso demandará investimentos de R$ 156 bilhões e a construção de 120 greenfields, ou novas usinas de processamento de cana,” alerta Kutas.