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UNICA vê indicação de Graziano para a FAO como reconhecimento

29 de junho de 2011

A confirmação do ex-ministro do combate à fome, José Graziano da Silva, para o cargo de diretor-geral da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) é um reflexo do estágio de desenvolvimento atingido pela agricultura brasileira, cujo desempenho já é alvo de reconhecimento mundial há tempos. A avaliação foi feita pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, após a indicação de Graziano em 27/06 para a agência oficial da ONU que tem como objetivo a redução da fome no mundo.

Com Graziano no cargo, acredita-se que haverá menos espaço para generalizações que muitas vezes caracterizavam as posições da FAO no passado, a respeito da alta mundial de preços de commodities. O tema foi várias vezes tratado de forma superficial, com abordagens simplistas do tipo alimentos versus combustíveis, condenando indiscriminadamente os biocombustíveis e sem uma análise criteriosa que apontasse as diferenças fundamentais entre, por exemplo, formas de se produzir etanol e matérias primas utilizadas.

Confirmando essa expectativa, em sua primeira entrevista coletiva no dia seguinte à indicação, Graziano abordou o tema afirmando que os biocombustíveis “não devem ser demonizados” por seu papel no contexto das commodities agrícolas. Questionado sobre biocombustíveis e oferta alimentar, ele defendeu o etanol brasileiro de cana-de-açúcar argumentando que há diferenças fundamentais entre os tipos de etanol, em função da matéria prima utilizada: “O etanol brasileiro não compete com a produção de grãos,” afirmou, frisando que os tipos de etanol a serem criticados são aqueles produzidos a partir de cereais.

Graziano, que já era o representante da FAO para a América Latina e o Caribe, obteve a indicação em segunda votação entre os 180 países membros, com vitória de 92 a 88 sobre seu principal adversário, o espanhol Miguel Angel Moratinos, e outros quatro pretendentes ao cargo. Ele substitui o senegalês Jacques Diouf, que permaneceu no cargo por 18 anos, fato que levou a FAO a alterar as regras para impedir longas permanências na direção-geral da entidade sem que haja renovação.