24 de junho de 2010

Argumentos apresentados em um recente estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI, sigla em Inglês para Internacional Food Policy Research Institute), foram rebatidos pela assessora sênior do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, durante evento organizado em Brasilia pelo próprio IFPRI em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no dia 02 de junho. O documento “Global Trade and Environmental Impact Study of the EU Biofuels Mandate”, produzido a pedido da Comissão Européia, alega que 15% da expansão da cana-de-açúcar no Brasil acontece sobre florestas nativas e 58% sobre cerrado nativo.

“As alegações do relatório do IFPRI demonstram o pouco conhecimento que muitos pesquisadores estrangeiros têm da realidade brasileira e a necessidade de difundir ainda mais informações sobre as boas práticas ambientais do nosso setor,” afirmou Kutas.

Segundo ela, vários estudos baseados em imagens de satélite mostram, de forma indiscutível, que mais de 98% da expansão da cana no Brasil ocorreu sobre áreas já ocupadas pelo homem, como de cultivo e pastagens. “Com a publicação do Zoneamento Agroecológico Federal da cana, não há chance de ocorrer nenhuma expansão futura sobre vegetação nativa,” ressaltou a executiva da UNICA.

O “Diálogo Internacional sobre Ações para Estimular um Crescimento Inclusivo” contou com apresentações e discussões focadas em quatro áreas: crescimento a favor dos pequenos agricultores; investimentos em infraestrutura rural; proteção social e nutrição; e mudanças climáticas, biocombustíveis e recursos naturais. Geraldine Kutas participou da última sessão, que examinou a expansão da cana e seus riscos para a segurança alimentar e o meio ambiente.

“Os membros do conselho do IFPRI ficaram muito impressionados quando aprenderam que a cana da região Centro-Sul não é irrigada e que ocupa apenas 1,5% das terras aráveis do Brasil para a produção do etanol,” afirmou Kutas após sua apresentação “Biocombustíveis: O que o mundo pode aprender com o Brasil.”

A sessão de abertura do evento contou com a participação do diretor geral do IFPRI, Shenggen Fan, o diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes Pereira e o presidente da junta diretiva do IFPRI, Ross Garnaut.

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