11 de março de 2011

O acordo entre a BP Biofuels do Brasil e a Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA) anunciado na sexta-feira (11/03) é um importante passo para consolidar e aprimorar o setor sucroenergético no País, acredita o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank. “A BP foi a pioneira mundial entre as empresas petroleiras a acreditar no etanol brasileiro e com essa aquisição, começa a concretizar os planos ambiciosos que detalhou desde sua entrada no setor,” avalia Jank.

De acordo com comunicado divulgado pela BP, a empresa pagará aproximadamente US$ 680 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) para adquirir 83% das ações e refinanciar 100% das dívidas de longo prazo da CNAA. Assim que os ativos da CNAA estiverem em plena operação, a capacidade de produção brasileira de etanol da BP deverá atingir aproximadamente 1,4 bilhão de litros por ano, o equivalente a nove milhões de barris.

Ativos de porte

A BP inglesa, que controla a BP Biofuels, é uma das maiores companhias de energia do mundo. Desde 2006 a empresa já investiu mais US$ 1,5 bilhão (R$ 2,4 bilhões) em pesquisas, desenvolvimento e operações com biocombustíveis, além de investimentos em unidades produtoras na Europa, Brasil e Estados Unidos. Desde 2008, a  BP possui participação de 50% na Tropical BioEnergia S.A, que opera uma usina em Goiás, com a capacidade de produção de 435 milhões de litros de etanol por ano.

Pelo acordo anunciado, a BP Biofuels do Brasil, empresa subsidiária da inglesa BP, será sócia da Louis Dreyfus Commodities (LDC) na CNAA. Mário Lindenhayn, presidente da BP do Brasil, lembra que o fato da LDC ser parceira da BP em duas empresas não implica em ganhos de sinergia ou qualquer outra ligação. “São duas empresas independentes,” afirmou em entrevista à Agência Estado.

Já a CNAA, criada em 2007 por meio de uma joint venture entre o então grupo Santelisa Vale e investidores estrangeiros como o Riverstone, do Carlyle Group, além do Goldman Sachs, Global Foods e Discovery Capital, tem duas usinas: a Itumbiara, em Goiás, e a Ituiutaba Bioenergia, no Triângulo Mineiro. O grupo também possui uma nova usina em desenvolvimento no Estado de Minas Gerais, a Campina Verde.

Para o presidente do conselho de administração da BP, Carl-Henric Svanberg, “combustíveis de baixa emissão de carbono serão cada vez mais importantes para atender à demanda global de energia. A BP está comprometida em produzir biocombustíveis para ajudar a atender a esta demanda. O acordo de hoje também está alinhado com a estratégia da BP de ampliar nossa presença nos mercados de energia que mais crescem”.

“Esta aquisição estratégica confirma o comprometimento da BP em desenvolver grandes negócios em mercados emergentes e a expansão contínua no Brasil, por meio de exploração e produção de petróleo, bem como investimentos em biocombustíveis”,  acrescenta Bob Dudley, presidente executivo do grupo BP. “Até o momento, esta é a maior aquisição da divisão de Energias Alternativas da BP em nosso caminho para atingir uma posição de liderança no negócio de combustíveis de baixa emissão de carbono.”

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