22 de março de 2011

Melhorar o uso da palha da cana-de-açúcar no processo produtivo de etanol e açúcar é um dos objetivos de um novo convênio, que vai destinar, até 2014, R$1 bilhão à pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para o processamento de biomassa no setor sucroenergético. A novidade foi anunciada no dia 17/03 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O trabalho conjunto tem o apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), que vê na iniciativa um importante incentivo para trabalhos ainda em desenvolvimento.

“Só com mais pesquisa e desenvolvimento vamos superar os principais desafios do setor, e o melhor aproveitamento energético da palha é um deles. Ainda pouco utilizada, ela representa 1/3 de toda a energia contida na cana. Com tecnologia que viabilize o transporte da palha até a indústria, ela poderia ser mais usada para a geração de bioeletricidade,” afirma Marcos Jank, presidente da UNICA. Ele lembra que com o fim do uso controlado do fogo nas áreas mecanizáveis a partir de 2014, em São Paulo,  essa biomassa disponível terá aumento significativo. “Por outro lado, a pesquisa em outras rotas para obtenção de biocombustíveis, como o etanol de segunda geração, é prioritária e poderá também empregar esta mesma palha de cana,” acrescenta.

Orientação ao pesquisador

Para Arthur Milanez, gerente setorial do departamento de biocombustíveis do BNDES, o convênio com o FINEP traz uma série de vantagens. “Há uma estruturação de financiamentos para pesquisa que compreende as duas entidades, antes tratadas separadamente. Além disso, o pesquisador recebe orientações específicas sobre como obter o financiamento,” afirma. Ele explica que as inscrições são feitas por meio de empresas cujos pesquisadores tenham interesse nesta área.

O chamado Plano Conjunto BNDES-FINEP de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS) tem um processo de seleção no qual os trabalhos são avaliados por um comitê formado pelo BNDES-Finep. São várias as etapas para seleção das pesquisas, cujo prazo para a chamada “manifestação de interesse termina no dia 17/06. A análise compreende o inventário e seleção das empresas; apresentação e seleção dos planos de negócios; estruturação do plano de suporte conjunto.

O presidente da UNICA lembra também que o interesse pelo etanol de segunda geração e pelos bioplásticos é crescente. “Há uma verdadeira ebulição nesta área, uma espécie de corrida contra o tempo que precisa ter o envolvimento de nossos pesquisadores. Estes investimentos do PAISS são cruciais na nossa visão,” concluiu Jank.

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