13 de abril de 2016

Até o fim deste século, as mudanças climáticas trarão efeitos dramáticos para a sociedade americana. O fenômeno, acelerado nos últimos 100 anos pela emissão de gases de efeito estufa (GEEs) oriundos dos combustíveis fósseis (gasolina e diesel), além de causar incêndios e inundações em áreas populosas, ocasionará variações excessivas de temperaturas que vão afetar em grande escala a agricultura e a saúde física e mental da população.
O setor elétrico dos EUA tem como proposta reduzir suas emissões em 30% nos próximos 14 anosEsta é a conclusão do relatório “U.S. Global Change Research Program’s assessment” divulgado recentemente (04/04) pelo Governo dos Estados Unidos (EUA), e que reúne uma série de estudos de diversas agências federais daquele país, como a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e o departamento de Administração Oceanográfica e Atmosférica (NOAA).

Segundo o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, embora a análise do trabalho se restrinja aos EUA, os cenários projetados devem servir de alerta e podem ser muito parecidos ou até piores em outras partes do mundo. “As alterações climáticas já estão em curso e a sua intensificação poderá causar danos até maiores em países com estruturas econômicas e sociais mais deficitárias”, avalia. Entretanto, o executivo complementa que há soluções para frear este fenômeno.

“Uma das formas mais eficazes seria substituir gradativamente energias fósseis por renováveis. Trocar a gasolina pelo etanol, capaz de reduzir em até 90% a emissão de CO2 em relação ao seu concorrente fóssil, ou o carvão pelas fontes biomassa, solar e eólica, seriam estratégias comercialmente viáveis e que já foram adotadas em muitos lugares, como no Brasil e na Alemanha, por exemplo”, ressalta Szwarc.

Relatório

De acordo com a expert em qualidade do ar e meio ambiente da EPA, Gina McCarthy, o relatório americano tem o objetivo de mostrar que as mudanças climáticas não trazem impacto “somente sobre as geleiras e ursos polares, mas para a saúde de nossas famílias.” A executiva complementou dizendo que o aumento da temperatura terrestre “põe em risco as fontes de comida e água, exacerbando efeitos de saúde já existentes e criando novos.”
O documento, dividido em nove capítulos e disponível em formato digital, julga que a elevação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera vai influenciar negativamente algumas culturas agrícolas, como arroz e milho, afetando a qualidade nutricional dos alimentos. Além disso, variações meteorológicas tendem a aumentar o risco de transmissão de salmonela e incidência de doenças cardiovasculares. Será maior, também, a ocorrência de asma e diabetes na população.

O trabalho prevê que o calor extremo nos EUA causará a morte prematura de 27 mil pessoas até 2100, ano em que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a temperatura média mundial estará 4 graus acima da atual caso não haja uma considerável redução das emissões de gases de efeito estufa a partir de agora. O fato é tão grave, que em dezembro de 2015, 200 nações apresentaram planos individuais neste sentido.

No Acordo de Paris, tratado internacional que simboliza este esforço mundial, o Brasil se comprometeu a cortar 43% das suas emissões de GEEs até 2030 – em relação aos níveis de 2005. As metas incluem dois produtos derivados da cana-de-açúcar, o etanol e a bioeletricidade. Nos próximos 14 anos, a participação de biocombustíveis, incluindo o sucroenergético, deverá alcançar 18% no total da matriz energética. Já na matriz elétrica, haverá um incremento de 10% para 23% no uso de energia renováveis (solar, eólica e biomassa).

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

 

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