31 de agosto de 2018

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) indicam forte redução na demanda brasileira de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C e etanol hidratado) em julho. Foram 4,08 bilhões de litros consumidos, uma queda de 8,32% sobre o mesmo mês de 2017 e de 2,69% em relação a junho de 2018.

Esse é o menor volume para o mês dentre os últimos 6 anos. Repercute, principalmente, a retração nas vendas de gasolina. Em julho, o Brasil consumiu 2,99 bilhões de litros do combustível, contra 3,15 bilhões de litros no mês anterior. Em contrapartida, as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras cresceram consideravelmente. Somaram 1,55 bilhão de litros, a maior demanda mensal registrada em 2018 – crescimento de 4,12% sobre junho deste ano.

Como reflexo, a participação do etanol hidratado no consumo de combustíveis do ciclo Otto aumentou para 26,66%. A série histórica indica que este percentual é o maior já observado desde outubro de 2010 (27,50%). Avaliando os principais estados consumidores do biocombustível, o destaque coube à São Paulo, onde a participação atingiu quase 50%; dos 1,17 bilhão de litros comercializados, 779,12 milhões de litros foram do biocombustível hidratado e 623,49 milhões de litros de gasolina C (já incorporando o diferencial de rendimento entre ambos os produtos). A expansão da demanda do renovável em julho sobre junho também foi forte no Paraná (10,3%), Minas Gerais (11,7%) e Mato Grosso (8,2%).

Estes números refletem a competitividade superior do hidratado frente à gasolina em praticamente todo o País. De acordo com a ANP, a paridade média de preços entre estes combustíveis atingiu 62% em julho, índice muito abaixo da relação técnica que varia entre 70% e 75,4%. Testes urbanos e rodoviários conduzidos em 2017 pelo Instituto Mauá demonstram que o desempenho médio do biocombustível em 20 veículos de diversas categorias (Popular 1.0, Sedan Médio, SUV, Popular 1.6) variou de 70,7% e 75,4%, ou seja, um resultado superior aos valores de referência encontrados para os mesmos modelos no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV); 66,7% e 72,1%, respectivamente.

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