7 de junho de 2011

A expansao da bioeletricidade a partir da biomassa da cana-de-açúcar precisa avançar, mas para isto será necessário enfrentar uma série de desafios. Esta foi a posição dos cinco expositores do painel “Bioeletricidade: desafios para crescer”, que ocorreu na segunda-feira (06/06), durante o Ethanol Summit 2011, no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Alguns dos pontos levantados foram estimular a eficiência das usinas, o maior acesso a financiamentos, melhor gestão condicionada a fatores sazonais de produção, custos de conexão e uma maior competitividade tarifária.

“O grande desafio do estado de São Paulo é reduzir em 20% a emissão dos gases de efeito estufa até 2020, tomando como base a liberação de poluentes que havia em 2005,” afirmou José Anibal, secretário estadual de Energia ao citar o papel que o etanol e a bioeletricidade têm no cumprimento dessa meta.

O secretário destacou a desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para aquisição de máquinas e equipamentos de cogeração, medida anunciada pela manhã pelo governador Geraldo Alckmin. Aníbal afirmou ainda que a matriz de São Paulo será cada vez mais limpa, conforme os projetos de sua pasta, baseadas em bagaço de cana, palha e resíduos sólidos.

Modelos de Negócios

Miguel Normando Abdalla Saad, co-presidente da CPFL Renováveis, mencionou o potencial que a bioeletricidade apresenta principalmente no estado de São Paulo, e a possibilidade de construção de modelos de negócios que atraiam investidores de outros setores. “Poderíamos ter situação de parceria do setor sucroenergético com o setor elétrico,” afirmou.

Na avaliação de Suleiman Hassuani, coordenador de Pesquisas Tecnológicas do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) é preciso um ambiente adequado para fomentar a bioeletricidade, que agregue tecnologia. “Precisamos aproveitar outras biomassas, como a palha, além de promover a reforma das usinas existentes, os chamados retrofits,” explicou.

Competitividade

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, considera que a bioeletricidade apresenta boa competitividade comparativamente às demais fontes energéticas. Atualmente, de acordo com o “Plano Decenal de Energia” apresentado pelo Governo Federal, há uma previsão de contratação de 4,7 GW até 2020 para a bioeletricidade.

José Carlos Miranda Farias, diretor de estudos de energia elétrica da EPE, explicou que o governo federal criou o conceito de Instalações Compartilhadas de Geração para as novas fronteiras agrícolas, o que tem possibilitado ligar as usinas de bioeletricidade na Região Centro-Oeste diretamente à Rede Básica do Sistema. No entanto, sublinhou, para o estado de São Paulo ainda se estudam medidas para resolver o problema de conexão às redes.

Matriz Energética

Altino Ventura Filho, representante do Ministério de Minas e Energia, relatou o avanço e o papel da bioeletricidade na matriz de energia elétrica do País, destacando também a importância do etanol na matriz energética global. E lembrou o importante papel que o setor sucroenergético tem na redução das emissões dos Gases de Efeito Estufa.

Durante o painel, que foi conduzido pelo consultor de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, os representantes do Governo Federal mencionaram  a impossibilidade de os próximos leilões de energia terem um produto específico para a bioeletricidade. No entanto, abriram a possibilidade de se voltar a ter leilões de energia específicos para a bioeletricidade, sobretudo como forma de incentivar o uso da palha na bioeletricidade.

Veja alguns depoimentos dos palestrantes:

Altino Ventura, Ministério de Minas e Energia: “O etanol precisa se tornar uma commodity internacional. Devemos incentivar a oferta maior de outros países, como os africanos, por exemplo”.

Miguel Normando Abdalla Saad, CPFL Renováveis: “Devemos ter cuidados na gestão da energia a partir de biomassa de bagaço de cana. A produção é sazonal e precisa ser bem administrada, para não haver prejuízos no abastecimento, especialmente por causa de chuvas”.

Suleiman Hassuani, CTC: “Precisamos agregar tecnologia para dar mais competitividade a este modelo”.

José Carlos de Miranda Farias,EPE: “Os preços e a competitividade da geração de energia a partir da biomassa de cana, é maior que as demais fontes”.

José Aníbal, secretário de Energia do governo de São Paulo: “São Paulo terá uma matriz mais limpa, com base no bagaço de cana-de-açúcar, palha e resíduos sólidos”.

Assista o vídeo do painel “Bioeletricidade: desafios para crescer“

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