14 de abril de 2016

Em 2015, o setor sucroenergético brasileiro ofertou mais de 20 mil GWh para o Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN), esse volume de energia fornecido à rede pela biomassa da cana foi equivalente a economizar 14% da água dos reservatórios hidrelétricos do principal submercado do setor elétrico – Sudeste/Centro-Oeste -, que no ano passado respondeu por 59% do consumo de eletricidade no País.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os recursos hídricos, materializados nos rios, apresentam grande variabilidade e incerteza em sua disponibilidade, seja por aspectos sazonais ou por períodos pontuais de baixas afluências, como observado em 2014 e 2015. Embora atualmente a energia armazenada nos reservatórios das hidrelétricas no Sudeste/Centro-Oeste esteja em 58% da capacidade máxima, em novembro de 2014 chegou a apenas 16%.

O gerente em Bioeletricidade da UNICA, Zilmar de Souza, ressalta que “em termos de preservação de água nos reservatórios, a contribuição da cana é ainda maior, pois a indústria sucroenergética é autossuficiente em energia elétrica durante a safra, fazendo com que a autoprodução evite também a aquisição intensiva de eletricidade neste período.”

Para o diretor da COGEN, Leonardo Caio Filho, o recente estresse hídrico e a recuperação dos níveis dos reservatórios reforçam a função estratégica da bioeletricidade da cana para o Sistema Interligado. “Pela geração da biomassa estar concentrada no período seco da região Sudeste e Centro-Oeste, a contribuição de cada MWh gerado pela cana é muito significativa, resultando em um indicador tão relevante como este de poupar o equivalente a 14%”, comenta.

Zilmar de Souza reforça que tudo isto reforça o papel de seguro energético que a bioeletricidade da cana apresenta. “Estimular a contratação dessa fonte nos leilões é incentivar uma energia renovável e sustentável, mas também funciona como adquirir um hedge para mitigar eventos críticos como foi o ciclo hídrico 2014-2015”, avalia.

O próximo leilão em que a biomassa poderá participar já está agendado para 29 de abril de 2016. Será o Leilão A-5/2016, que contratará energia de novos projetos para entrega a partir de 2021. Além do Leilão A-5/2016, neste ano também estão agendados dois outros certames de Energia de Reserva para as fontes eólicas, solar e para as pequenas hidrelétricas. Contudo, a fonte biomassa não foi inserida. Ressaltando-se, ainda, que a biomassa não é convidada a participar dos Leilões de Energia de Reserva desde o ano de 2011.

 

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