9 de agosto de 2018

Pesquisas científicas focadas em cana-de-açúcar, contemplando, inclusive, variedades transgênicas, darão uma importante contribuição para que o setor sucroenergético aumente a produção de etanol, conforme prevê a Política Nacional de Biocombustíveis, mais conhecida como RenovaBio.

Esta foi a mensagem de Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), durante o Workshop RenovaBio, promovido na quarta-feira (09/08), em São Paulo (SP), pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), uma agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“Tudo isso atrelado a uma comunicação eficaz para quem mais precisa de tecnologia e inovação ajudará na melhoria da atividade [canavieira], que está estagnada há anos. Com base nas metas de redução de emissões estabelecidas pelo Programa, ou seja, 10% até 2028, o setor deverá produzir 47 bilhões de litros de etanol, partindo dos atuais 26 bilhões. É um crescimento de mais de 80%”, acrescentou. A executiva também alertou que nesse período de eleições, o Programa deve ser agenda dos candidatos à presidência e ao governo estadual, porque as lideranças precisam dar continuidade a essa política nos próximos anos.

Além disso, com os incentivos do RenovaBio para redução de emissões, deverão ser desenvolvidos e acompanhados novos indicadores que mostrem a evolução de ganhos de produtividade. A evolução tecnológica deve abarcar toda a cadeia produtiva para que o entendimento de ciclo de vida dos combustíveis seja adotado, incluindo eficiência dos motores flex e de combinações de eletricidade e biocombustíveis, como os híbridos flex.

No painel “A expectativa da indústria para a evolução do RenovaBio”, mediado por Luis A. Horta Nogueira, da BIOEN, também estavam Renato Godinho, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Antonio Cesar Salibe, da União dos Produtores de Bioenergia (UDOP) e Oswaldo Dalla Torre, da GranBio. Entre os debatedores houve consenso sobre o protagonismo do Brasil nas discussões sobre os biocombustíveis. No entanto, há a necessidade de investimentos em pesquisa aplicada, novos sistemas de produção e inovação para baixar custos e melhorar eficiência, cenário favorável para o RenovaBio fazer sentido no longo prazo.

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