15 de outubro de 2012

O Better Sugarcane Initiative (Bonsucro), certificação global lançada em julho de 2011 que avalia a sustentabilidade dos produtos fabricados a partir da cana, é atualmente o modelo de certificação mais utilizado no Brasil, com 20 empresas sucroenergéticas e mais de 437 mil hectares (ha) de cana avalizados, o que equivale a mais de 1,7% da cana cultivada no mundo. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Benchmark of cane-derived renewable jet fuel against major sustainability standards,” publicação em inglês lançada em 20 de julho pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE).

O documento de 73 páginas, coordenado pelo diretor-geral da entidade, André Meloni Nassar, e escrito pelos pesquisadores Paula Moura, Gabriel Granço e Leila Harfuch, foi preparado a pedido das empresas Embraer, Boeing e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), grandes entusiastas do uso de biocombustíveis com foco na aviação. Segundo o  estudo, o Bonsucro é a certificação que melhor estabelece critérios de avaliação em conformidade com a realidade brasileira.

“No momento, o Bonsucro é o modelo mais viável no caso do setor sucroenergético brasileiro. No longo prazo, outras certificações como o Roundtable on Sustainable Biofuels (RSB) e o International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) também poderão ser viabilizadas, mas existe a necessidade de melhoramento contínuo dos critérios utilizados por elas, pois alguns deles podem nem fazer sentido para o Brasil,” observa a pesquisadora Paula Moura.

De acordo com a especialista do ICONE, os principais entraves encontrados durante as análises feitas pelo RSB e o ISCC estão relacionados aos temas “segurança alimentar” e “expansão do cultivo da cana.” Por outro lado, diversas exigências ambientais e trabalhistas extremamente restritivas citadas nessas certificações já são contempladas pela legislação brasileira e amplamente praticadas pelas empresas produtoras de etanol, açúcar e bioeletricidade.

Dois exemplos claros deste tipo de medida são o Protocolo Agroambinetal do Setor Sucroenergético, que antecipou de 2031 para 2017 o prazo para o fim do uso do fogo controlado para facilitar a colheita manual nos canaviais, e o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, um acordo selado entre o Governo Federal, empresários e trabalhadores do setor no intuito de valorizar as melhores práticas voltadas à saúde e segurança dos trabalhadores que atuam diretamente nos canaviais.

Segundo informações do Bonsucro, que reúne organizações não-governamentais como a WWF e companhias como Cargill, Shell e Coca-Cola, 2,04% da cana cultivada em todo o mundo já recebeu o selo de certificação da entidade, que tem sede em Londres. Isso equivale à produção de 30,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que ao ser processada pode ser convertida em 2,2 milhões de toneladas de açúcar e 1,6 milhões de litros de etanol por ano.

Publicações Recentes

Veja Também

Banco Mundial pode ajudar na disseminação da experiência brasileira com etanol pelo mundo

Klever Kolberg apresenta carro que estreará etanol no Rally Dakar

O piloto Klever Kolberg e seu navegador, Giovanni Godoi, apresentaram nesta terça-feira (15/12), em São Paulo, o carro da equipe Valtra Dakar Eco Team, que competirá na edição 2010 do maior rally do mundo, o Rally Dakar. O veículo, uma perua Mitsubishi Pajero Sport Flex, fabricada no Brasil com motor V-6 flex-fuel, será o primeiro a competir n

ler mais